El Faro
Tu cuerpo fue la nave de mis sueños,
tus pechos un timón de doble auxilio,
tu boca una angustiosa y dura proa
que me condujo al fondo del exilio.
Por ti sé de ensenadas nunca abiertas,
por ti sé de un volcán de color rojo.
por ti yo descubrí el faro secreto
y una noche sin luz me llamó su ojo.
He navegado en ti como en un barco
donde se concentraron mis pasiones.
Hice de tu alma un acto de mi vida
para hacerte olvidar mis obsesiones.
La proa me condujo a tu arrecife
y en él yo naufragué con alegría,
puesto que amar es navegar sin rumbo
y naufragar es lenta poesía.
Pero todo es inútil porque un barco
traiciona al navegante sin reparos,
si por tu capitán te preguntaran,
diles que lo cegó la luz del faro
O Faro
Teu corpo foi o barco dos meus sonhos,
tua peita um leme de duplo apoio,
tua boca uma proa angustiante e dura
que me levou ao fundo do exílio.
Por ti conheço enseadas nunca abertas,
por ti sei de um vulcão de cor vermelha.
Por ti descobri o faro secreto
e numa noite sem luz, seu olho me chamou.
Naveguei em ti como em um barco
onde se concentraram minhas paixões.
Transformei tua alma em ato da minha vida
pra te fazer esquecer minhas obsessões.
A proa me levou ao teu recife
e nele eu naufraguei com alegria,
pois amar é navegar sem rumo
e naufragar é uma lenta poesia.
Mas tudo é em vão, porque um barco
trai o navegante sem hesitar,
se por teu capitão te perguntarem,
diz que a luz do faro o cegou.
Composição: Horacio Salinas / Patricio Manns