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A Hora

Isabel Parra

La Hora

Tómame ahora que aún es temprano
Y que llevo dalias nuevas en la mano
Tómame ahora que aún es sombría
Esta taciturna cabellera mía

Ahora, que tengo la carne olorosa
Y los ojos limpios y la piel de rosa
Ahora que calza mi planta ligera
La sandalia viva de la primavera

Ahora que en mis labios repica la risa
Como una campana sacudida a prisa
Después, ¡oh, yo sé
Que nada de eso más tarde tendré!

Que entonces inútil será tu deseo
Como ofrenda puesta sobre un mausoleo
¡Tómame ahora que aún es temprano
Y que tengo rica de nardos la mano!

Hoy, no más tarde, antes que anochezca
Y se vuelva mustia la corola fresca
Hoy, no mañana, oh, amante, ¿no ves
Que la enredadera crecerá ciprés?

A Hora

Me leve agora que ainda é cedo
E que trago dálias novas na mão
Me leve agora que ainda está sombrio
Esse meu cabelo taciturno

Agora, que tenho a carne cheirosa
E os olhos limpos e a pele de rosa
Agora que calça minha planta leve
A sandália viva da primavera

Agora que em meus lábios ressoa a risada
Como um sino sacudido com pressa
Depois, oh, eu sei
Que nada disso mais tarde eu terei!

Pois então será inútil seu desejo
Como uma oferta deixada sobre um mausoléu
Me leve agora que ainda é cedo
E que tenho rica de nardos a mão!

Hoje, não mais tarde, antes que anoiteça
E se torne murcha a corola fresca
Hoje, não amanhã, oh, amante, não vê
Que a trepadeira crescerá cipreste?

Composição: Daniel Viglietti, Juana de Ibarbourou