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Oxímoron

Ismael Serrano

Oxímoron

Apresúrate despacio, amor mío, que la noche
reclama nuestra presencia. Es la calma y sus acordes
hoy el lujo imprescindible que nos arrebata el mundo,
los recuerdos olvidados, música callada de estos días de luto.

Apresúrate despacio, que estos días no te esperan,
que este eterno presente no les mostrará clemencia,
para aquellos que, realistas, han pedido lo imposible,
para nuestras simples complicaciones, para nuestras cicatrices.

Puede que sí, que morir sea parte de la vida.
Hoy más que nunca, el planeta y sus mentiras.
Lluvia que quema, gente que espera, niños soldado,
muertos vivientes en la fiesta del club de los solitarios.

Puede que sí, que la historia del futuro, la del mañana
se escriba sin estrellas, nueva y mejorada.
Luces oscuras, emergencias rutinarias, armas inteligentes,
caos controlado, noticias del diario, hoy es siempre.

Apresúrate despacio, que hoy me encontré perdido.
Hoy he de romper el tedio, su pacto sin compromiso.
Hoy creo estar seguro de poder sobrevivir a esta muerte,
de romper esta cadena que me abraza, de una tregua permanente.

Puede que sí, que morir sea parte de la vida.
Hoy más que nunca, el planeta y sus mentiras.
Lluvia que quema, gente que espera, niños soldado,
muertos vivientes en la fiesta del club de los solitarios.

Puede que sí, que la historia del futuro, la del mañana
se escriba sin estrellas, nueva y mejorada.
Luces oscuras, emergencias rutinarias, armas inteligentes,
caos controlado, noticias del diario, hoy es siempre.

Oxímoron

Apresse-se devagar, meu amor, que a noite
reclama nossa presença. É a calma e seus acordes
oh, o luxo imprescindível que nos arranca do mundo,
os lembranças esquecidas, música silenciosa desses dias de luto.

Apresse-se devagar, que esses dias não te esperam,
que esse eterno presente não mostrará clemência,
para aqueles que, realistas, pediram o impossível,
para nossas simples complicações, para nossas cicatrizes.

Pode ser que sim, que morrer seja parte da vida.
Hoje mais do que nunca, o planeta e suas mentiras.
Chuva que queima, gente que espera, crianças soldados,
mortos-vivos na festa do clube dos solitários.

Pode ser que sim, que a história do futuro, a do amanhã
se escreva sem estrelas, nova e melhorada.
Luzes escuras, emergências rotineiras, armas inteligentes,
caos controlado, notícias do dia, hoje é sempre.

Apresse-se devagar, que hoje me encontrei perdido.
Hoje vou quebrar o tédio, seu pacto sem compromisso.
Hoje acho que estou seguro de poder sobreviver a esta morte,
de romper essa corrente que me abraça, de uma trégua permanente.

Pode ser que sim, que morrer seja parte da vida.
Hoje mais do que nunca, o planeta e suas mentiras.
Chuva que queima, gente que espera, crianças soldados,
mortos-vivos na festa do clube dos solitários.

Pode ser que sim, que a história do futuro, a do amanhã
se escreva sem estrelas, nova e melhorada.
Luzes escuras, emergências rotineiras, armas inteligentes,
caos controlado, notícias do dia, hoje é sempre.

Composição: Ismael Serrano