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Você Dorme

Ismael Serrano

Duermes

Duermes,
mientras la ciudad golpea el cristal con su llanto,
ajena a tu sueño. Qué pena que este milagro
de verte dormida en paz
no desborde el muro de esta habitación.
Ojalá que mañana,
cuando te despiertes,
duerma mi dolor.

Duermes,
y bajo el flexo una estudiante reza la locura
de huir con los muchachos del camión de la basura.
Y, mientras, los bares
entierran la culpa de esta gran ciudad.
Tantas soledades
sin saber que duermes
no pueden amar.

Duermes,
insomne cruzo la casa y te busco intranquilo,
porque sueño a tu lado,
aunque no duerma contigo.
Duermes,
perdona mi maldita costumbre de despertarte
porque tengo miedo,
o porque llego tarde.

Duermes,
y un hombre escribe versos frente a una computadora.
Temblando, en la pantalla, abre la caja de Pandora.
Y en un cuarto de hotel,
busca encendida en el minibar
el rumor de las olas
una pareja que esta
noche no dormirá.

Duermes,
y un hombre llora en un taxi mientras suena la radio.
Una mujer desnuda lo detiene en un semáforo.
Nadie sabe que duermes,
no consta en los diarios.
Qué lástima la gente
que nunca besará la paz
sobre tus párpados.

Duermes,
insomne cruzo la casa y te busco intranquilo,
porque sueño a tu lado,
aunque no duerma contigo.
Duermes,
perdona mi maldita costumbre de despertarte
porque tengo miedo,
o porque llego tarde.

Você Dorme

Você dorme,
enquanto a cidade bate no vidro com seu choro,
alheia ao seu sonho. Que pena que esse milagre
de te ver dormindo em paz
não transborde o muro desse quarto.
Tomara que amanhã,
quando você acordar,
meu dor durma.

Você dorme,
e sob a luz, uma estudante reza a loucura
de fugir com os meninos do caminhão de lixo.
E, enquanto isso, os bares
enterram a culpa dessa grande cidade.
Tantas solidões
sem saber que você dorme
não podem amar.

Você dorme,
insone, cruzo a casa e te busco inquieto,
porque sonho ao seu lado,
mesmo que não durma com você.
Você dorme,
perdoa meu maldito hábito de te acordar
porque tenho medo,
ou porque chego tarde.

Você dorme,
e um homem escreve versos diante de um computador.
Tremendo, na tela, abre a caixa de Pandora.
E em um quarto de hotel,
busca acesa no minibar
o rumor das ondas
de um casal que esta
noite não vai dormir.

Você dorme,
e um homem chora em um táxi enquanto toca o rádio.
Uma mulher nua o para em um semáforo.
Ninguém sabe que você dorme,
não consta nos jornais.
Que pena da gente
que nunca beijará a paz
sobre suas pálpebras.

Você dorme,
insone, cruzo a casa e te busco inquieto,
porque sonho ao seu lado,
mesmo que não durma com você.
Você dorme,
perdoa meu maldito hábito de te acordar
porque tenho medo,
ou porque chego tarde.

Composição: Ismael Serrano