Ciudadano a
No suelo pensar
que los demás teman por mí
a lo mejor supones
que soy un animal
no más silvestre que esta piedra
que mi enojo el día que yo vi
lo miserable que podías ser lo miserable
no suelo pensar
que los demás me entienden ni un momento
y una vez que empiezo a hablar
mis vomitonas me convierten en un descarado
sí tienes razón
es complicado mantener el tipo en cualquier situación
ya ves
yo sobrevivo a base de basura y desencuentro
no podrás decir
que no te dije lo que había un día en su momento
mirarte bien
que estás inflado de mediocridad
no suelo decir
lo repugnante que resulta veros en la tele
haciendo bailar
los numeritos en las tablas
vuestras putas casas son de verdad
y a mí me da que todo es de mentira
vi como una vez
cambiabas todo en el telediario
vi a todos llorar
es imposible contenerme ahora no consigo
vi a tu mujer
cómo besaba a todos en Madrid en las calles
y a ti en Berlín
vendiendo Europa a los americanos
Todo lo que nunca tendré...
Cidadão a
Não costumo pensar
que os outros tenham medo de mim
quem sabe você supõe
que sou um animal
não mais selvagem que essa pedra
que meu ódio no dia em que eu vi
quão miserável você podia ser, quão miserável
não costumo pensar
que os outros me entendem nem por um momento
e uma vez que começo a falar
meus desabafos me transformam em um sem-vergonha
sim, você tem razão
é complicado manter a pose em qualquer situação
já viu
eu sobrevivo à base de lixo e desencontro
não poderá dizer
que não te avisei sobre o que havia um dia no seu momento
olhe bem
que você está cheio de mediocridade
não costumo dizer
o repugnante que é ver vocês na TV
fazendo dançar
os números nos palcos
suas casas de merda são de verdade
e eu sinto que tudo é mentira
vi como uma vez
você mudava tudo no telejornal
vi todos chorarem
é impossível me conter agora, não consigo
vi sua mulher
como beijava todos em Madri nas ruas
e a você em Berlim
vendendo a Europa para os americanos
Tudo que eu nunca terei...
Composição: Iván Ferreiro