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Filho Prodígio

João Caldas

Meu Deus me transformei
Com uma mente de criança
Pedi meu a parte da minha herança
E pelo mundo fui me aventurar

Meu pai me envolveu
Toda parte que eu tinha
Me despedi dos meus irmãos
E minha mãezinha
E pelo mundo fui aventurar

Eu chorei
Meu pai me acompanhava
Da fazenda até a estrada
Olhei o podre velho chorava
E assim, foi me acompanhando

E foi de repente
Meu pai parou com a mente
O podre pai abraçou
Disse vai com Deus
Um dia vai voltar

Eu fui
Olhei para trás
Vi meu pai me acenando
Cabeça baixa
O pobre velho chorando

Me desabei
Comecei a chorar
Eu chorei
Eu pensei

Veu fui
Passei por pontes
Atravessei montanhas
No fim da tarde
Já estava em terra estranha

Ali parei um pouco pra pensar
Eu chorei
Eu pensei
Meu Deus onde eu moro
No país eu não falava

Fiquei tão triste
Ali eu chorava
Sem saber a direção
Eu chorei

De repente um moço ali passou
Vem comigo que eu vou para o norte
Sem saber a onde ia

Eu passei a noite na notada
Todas as contas que vinha eu pagava

Passou um tempo
Meu dinheiro acabou
Meus amigos aos poucos
De mim se afastou

Fiquei tão triste
Jogado ali na rua
Fiquei chorando
Sem saber para onde ir

Eu pensei
Eu pensei
Se eu voltar
Será que o meu pai me aceita?

Eu não fiz todas as coisas direito
Eu voltei pra casa do meu pai
Cheguei na porteira
Na entrada da fazenda

Eu que meu pai que me entenda
Correu depressa e me abraçou

Ele estava sujo
Minha roupa toda trona
Toda rasgada
O meu calçado não prestava para mais nada

Ele mandou trazer roupa para eu vestir
Anel de ouro no meu dedo meu pai colocou

Ele chorou
Eu chorei
O filho pródigo aqui voltou

Composição: João Caldas