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Temos Motivos de Sobra

Joaquín Sabina

Nos Sobran Los Motivos

Esta sala de espera sin esperanza
Estas pilas de un timbre que se secó
Este helado de fresa de la venganza
Esta empresa de mudanzas
Con los muebles del amor

Esta campana muda en el campanario
Esta mitad partida por la mitad
Estos besos de Judas, este Calvario
Este look de presidiario
Esta cura de humildad

Este cambio de acera de tu cadera
Estas ganas de nada, menos de ti
Este arrabal sin grillos en primavera
Ni espaldas con cremallera
Ni anillos de presumir

Esta casita de muñecas de alterne
Este racimo de pétalos de sal
Este huracán sin ojo que lo gobierne
Este jueves, este viernes
Y el miércoles que vendrá

No abuses de mi inspiración
No acuses a mi corazón
Tan maltrecho y ajado
Que está cerrado por derribo

Por las arrugas de mi voz
Se filtra la desolación
De saber que estos son los últimos versos
Que te escribo

Para decir: Con Dios, a los dos
Nos sobran los motivos

Este museo de arcángeles disecados
Este perro andaluz sin domesticar
Este trono de príncipe destronado
Esta espina de pescado
Esta ruina de Don Juan

Esta lágrima de hombre de las cavernas
Esta horma del zapato de Barba Azul
Qué poco rato dura la vida eterna
Por el túnel de tus piernas
Entre Córdoba y Maipú

Esta guitarra cínica y dolorida
Con su terco: Knock, knockin' on heaven's door
Estos labios que saben a despedida
A vinagre en las heridas
A pañuelo de estación

Este Land Rover aparcado en tu toga
La rueca de Penélope en Luna Park
Estos dedos que sueñan que te desnudan
Esta caracola viuda
Sin la pianola del mar

No abuses de mi inspiración
No acuses a mi corazón
Tan maltrecho y ajado
Que está cerrado por derribo

Por las arrugas de mi voz
Se filtra la desolación
De saber que estos son los últimos versos
que te escribo

No abuses de mi inspiración
No acuses a mi corazón
Tan maltrecho y ajado
Que está cerrado por derribo

Por las arrugas de mi voz
Se filtra la desolación
De saber que estos son los últimos versos
que te escribo

Para decir: Con Dios, a los dos
Nos sobran los motivos

Temos Motivos de Sobra

Essa sala de espera sem esperança
Essas pilhas de uma campainha que estragou
Esse sorvete de morango da vingança
Essa empresa de mudanças
Com os móveis do amor

Esse sino mudo na torre
Essa metade partida ao meio
Esses beijos de Judas, esse Calvário
Esse visual de presidiário
Essa dose de humildade

Esse balançar da sua cintura, de um lado pro outro
Essa vontade de nada, muito menos de você
Esse subúrbio sem grilos na primavera
Nem costas com zíper
Nem anéis para ostentar

Essa casinha de bonecas de cabaré
Esse buquê de pétalas de sal
Esse furacão sem olho para governá-lo
Essa quinta-feira, essa sexta-feira
E a quarta-feira que virá

Não abuse da minha inspiração
Não acuse meu coração
Tão maltratado e desgastado
Que está condenado à demolição

Pelas falhas da minha voz
Se infiltra a desolação
Por saber que esses são os últimos versos
Que escrevo para você

Para dizer: Adeus, nós dois
Temos motivos de sobra

Esse museu de arcanjos empalhados
Esse cão andaluz sem domesticar
Esse trono de príncipe destronado
Essa espinha de peixe
Essa ruína de Don Juan

Essa lágrima de homem das cavernas
Essa forma do sapato do Barba Azul
Como a vida eterna dura tão pouco
Pelo túnel das suas pernas
Entre Córdoba e Maipú

Esse violão cínico e machucado
Com seu teimoso: Batendo, batendo na porta do céu
Esses lábios com gosto de despedida
De vinagre nas feridas
E lenço de estação

Esse Land Rover estacionado no seu manto
A rocha de Penélope no Luna Park
Esses dedos que sonham em te despir
Essa concha viúva
Sem o piano do mar

Não abuse da minha inspiração
Não acuse meu coração
Tão maltratado e desgastado
Que está condenado à demolição

Pelas falhas da minha voz
Se infiltra a desolação
Por saber que esses são os últimos versos
Que escrevo para você

Não abuse da minha inspiração
Não acuse meu coração
Tão maltratado e desgastado
Que está condenado à demolição

Pelas falhas da minha voz
Se infiltra a desolação
Por saber que esses são os últimos versos
Que escrevo para você

Para dizer: Adeus, nós dois
Temos motivos de sobra

Composição: Sabina Joaquin, Alejo Stivel