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Balada do Tolito

Joaquín Sabina

Balada de Tolito

Tolito tiene un dado y una paloma
Una tos y una copa llena de vino
Y unas ropas con polvo de los caminos
Caminos que jamás llevaban a Roma

Mago de las barajas y la sonrisa
Malabarista errante de las plazuelas
Corazón que le sale por la camisa
Botas de andar sin prisa ni mediasuela

Empieza la función, pongan atención
El circo cabe en un asiento del vagón
Empieza la función, pongan atención
Billete de segunda, próxima estación

A no ser por el alma y por la melena
De sus vecinos no se distinguiría
Su oficio es retorcerle el cuello a la pena
Y abrir una ventana a la fantasía

Para dormir a pierna suelta le basta
Con tener para vino, pan y tabaco
Igual te rifa un peine que echa las cartas
Y saca el rey de bastos de tu sobaco

Si quieres verlo, ven, busca en el andén
Tolito siempre está bajando de algún tren
Si quieres verlo, ven, busca en el andén
Tolito siempre está subiendo al primer tren

Cada vez que se enceuntran dos caminantes
Se cuentan sus andanzas y sus querellas
Le cuelgan a la noche un interrogante
Y llegan hasta el fondo de las botellas

Luego, entre cuatro muros y dos escuetos
Colchones, rescatados de la miseria
Se intercambian los trucos y los secretos
Del arte de ir rodando de feria en feria

Ponnos dos copas más antes de cerrar
Morirse debe ser dejar de caminar
Ponnos dos copas más antes de cerrar
Hoy bebo a tu salud, mañana Dios dirá

Balada do Tolito

Tolito tem um dado e uma pomba
Uma tosse e uma taça cheia de vinho
E umas roupas com poeira dos caminhos
Caminhos que nunca levaram a Roma

Mago das cartas e do sorriso
Malabarista errante das praças
Coração que sai pela camisa
Botas de andar sem pressa nem sola

Começa a apresentação, prestem atenção
O circo cabe em um assento do vagão
Começa a apresentação, prestem atenção
Bilhete de segunda, próxima estação

A não ser pela alma e pela cabeleira
De seus vizinhos não se distinguiria
Seu ofício é torcer o pescoço da dor
E abrir uma janela para a fantasia

Para dormir à vontade, basta
Ter vinho, pão e tabaco
Igual te sorteia um pente que lê as cartas
E tira o rei de paus do seu sovaco

Se quiser vê-lo, vem, procura na plataforma
Tolito sempre está descendo de algum trem
Se quiser vê-lo, vem, procura na plataforma
Tolito sempre está subindo no primeiro trem

Cada vez que se encontram dois caminhantes
Contam suas andanças e suas brigas
Pendura na noite um questionamento
E chegam até o fundo das garrafas

Depois, entre quatro paredes e dois colchões
Resgatados da miséria
Trocando truques e segredos
Da arte de ir rodando de feira em feira

Nos ponha mais duas taças antes de fechar
Morrer deve ser parar de andar
Nos ponha mais duas taças antes de fechar
Hoje bebo à sua saúde, amanhã Deus dirá

Composição: J. Sabina