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Camaradas

Joaquín Sabina

Paisanaje

Volaban los camarones por bulerías
Antes de que tus canciones fueran tan mías
Usted perdone, tan tuyas, tan de fulano
Fatiguitas y casullas, viva mi hermano

Viva tu hermana la rubia, musa alfarera
Que canta bajo la lluvia su petenera
Que canta bajo la lluvia su petenera

Su saeta deslenguada, su grito en celo
Que aroma la madrugada con su pomelo
Que aroma la madrugada con su pomelo

Porque primus interpares era tu brinco
No hagas ripios malabares que te la jinco
Tan albano kosovar, tan lydia lozano
Tan cristiano, tan vulgar, tan chic, tan afgano

Tan vecinos y tan lejos, verte y no verte
Tan jóvenes y tan viejos, muera la muerte
Tan jóvenes y tan viejos, muera la muerte

Tu colección de ciudades otros la cobran
Yo canto mis soledades porque me sobran
Yo canto mis soledades porque me sobran

Inspiración y mujeres, rubia morena
Me clavan los alfileres, en la verbena
Me clavan los alfileres

Mi sobrina nietecita se llama Luna
Se corten una miajita los de la tuna
Le dijo la lola al facha de don cupido
Consintiendo lo que tacha, su consentido

Viajes en vuelo charter, sin despedida
Mis paisanos cortan trajes a mi medida
Mis paisanos cortan trajes a mi medida

Vacilón que se propasa pero no llega
Mi corazón es la casa de los ortega
Mi corazón es la casa de los ortega

Por no hablar de sentimientos, tiempo y compás
El feeling es un lamento, de barrabás
El feeling es un lamento

Almohada enamorada, del desalmado
Casi todo es casi nada, casi pecado
Casi todo es casi nada

Camaradas

Voavam os camarões nas bulerías
Antes que suas canções fossem tão minhas
Perdoe, tão suas, tão de fulano
Cansadinhos e casulas, viva meu irmão

Viva sua irmã loira, musa oleira
Que canta sob a chuva sua petenera
Que canta sob a chuva sua petenera

Sua saeta desbocada, seu grito em chamas
Que aroma a madrugada com seu pomelo
Que aroma a madrugada com seu pomelo

Porque primus interpares era seu salto
Não faça rimas ruins que eu te pego
Tão albano kosovar, tão lydia lozano
Tão cristão, tão vulgar, tão chique, tão afegão

Tão vizinhos e tão longe, te ver e não ver
Tão jovens e tão velhos, morra a morte
Tão jovens e tão velhos, morra a morte

Sua coleção de cidades outros cobram
Eu canto minhas solidões porque me sobram
Eu canto minhas solidões porque me sobram

Inspiração e mulheres, loira morena
Me cravam os alfinetes, na festa
Me cravam os alfinetes

Minha sobrinha neta se chama Luna
Que se cortem um pouquinho os da tuna
Disse a lola pro cara de don cupido
Consentindo o que tacha, seu consentido

Viagens em voo charter, sem despedida
Meus conterrâneos cortam trajes na medida
Meus conterrâneos cortam trajes na medida

Vacilão que se propaga mas não chega
Meu coração é a casa dos ortega
Meu coração é a casa dos ortega

Por não falar de sentimentos, tempo e compasso
O feeling é um lamento, de barrabás
O feeling é um lamento

Almohada apaixonada, do desalmado
Quase tudo é quase nada, quase pecado
Quase tudo é quase nada

Composição: Paco Ortega