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Eclipse de Mar

Joaquín Sabina

Eclipse de Mar

Hoy dice el periódico
Que ha muerto una mujer que conocí
Que ha perdido en su campo el atleti
Y que ha amanecido nevando en París

Que han pillado un alijo de coca
Que a piscis y acuario les toca
El vinagre y la hiel
Que aprobó el parlamento europeo

Una ley a favor de abolir el deseo
Que falló la vacuna anti sida
Que un golpe de estado ha triunfado en la Luna
Y movidas así

Pero nada decía la prensa de hoy de esta sucia pasión
De este lunes marrón
Del obsceno sabor a cubata de ron de tu piel
Del olor a colonia barata del amanecer

Hoy amor, como siempre
El diario no hablaba de ti, ni de mí
Hoy amor, igual que ayer, como siempre
El diario no hablaba de ti, ni de mí

Hoy dijo la radio
Que han hallado muerto al niño que yo fui
Que han pagado un pasote de pelas
Por una acuarela falsa de dalí

Que ha caído la bolsa en el cielo
Que siguen las putas en huelga de celo en moscú
Que subió la marea
Que fusilan mañana a Jesús de judea

Que creció el agujero de ozono
Que el hombre de hoy es el padre del mono del año 2000
Pero nada decía el programa de hoy de este eclipse de mar
De este salto mortal

De tu voz tiritando en la cinta del contestador
De la manchas que deja el olvido a través del colchón
Hoy amor, como siempre
El diario no hablaba de ti, ni de mí

Hoy amor, igual que ayer, como siempre
El diario no hablaba de ti, ni de mí

Eclipse de Mar

Hoje diz o jornal
Que morreu uma mulher que eu conheci
Que o atleta perdeu no seu campo
E que amanheceu nevando em Paris

Que pegaram um carregamento de coca
Que a peixes e aquário vai afetar
O vinagre e a bile
Que o parlamento europeu aprovou

Uma lei a favor de abolir o desejo
Que a vacina contra a AIDS falhou
Que um golpe de estado triunfou na Lua
E coisas assim

Mas nada dizia a imprensa de hoje sobre essa paixão suja
Sobre essa segunda-feira marrom
Do sabor obsceno do cubata de rum na sua pele
Do cheiro de colônia barata do amanhecer

Hoje amor, como sempre
O jornal não falava de você, nem de mim
Hoje amor, igual a ontem, como sempre
O jornal não falava de você, nem de mim

Hoje disse o rádio
Que encontraram morto o menino que eu fui
Que pagaram uma grana alta
Por uma aquarela falsa do Dalí

Que a bolsa caiu no céu
Que as putas continuam em greve de ciúmes em Moscou
Que a maré subiu
Que amanhã fuzilam Jesus da Judeia

Que aumentou o buraco na camada de ozônio
Que o homem de hoje é o pai do macaco do ano 2000
Mas nada dizia o programa de hoje sobre esse eclipse de mar
Sobre esse salto mortal

Da sua voz tremendo na fita do gravador
Das manchas que o esquecimento deixa pelo colchão
Hoje amor, como sempre
O jornal não falava de você, nem de mim

Hoje amor, igual a ontem, como sempre
O jornal não falava de você, nem de mim

Composição: Joaquín Sabina / Luis Eduardo Aute