Arenas Movedizas
Mañana cuando era tan pequeño
Por el Acantilado del Obispo caí
Persiguiendo un pájaro sin dueño
Y aterricé en un polvorín
De arenas movedizas
Bajo un cielo de betún
Caracolas que agonizan
Sin decir ni mu
Cuando el gallo a sueldo de la madrugada
Llegó con su kikirikí
Desperté soñando que viajaba
Desnudo con un maletín
De arenas movedizas
Bajo un cielo de alquiler
Alfileres que agonizan
Antes de nacer
A mi cita fui pero el horizonte
Se había cansado de esperar
Me llamó san Pedro por mi nombre
Y no le quise contestar
Y arenas movedizas
Bajo un cielo de almidón
Paquebotes que aterrizan
Sin pedir perdón
Arenas movedizas
Bajo un cielo regaliz
Ascensores que agonizan
Por la cicatriz
Arenas Movediças
Amanhã quando eu era tão pequeno
Pelo Penhasco do Bispo eu caí
Perseguindo um pássaro sem dono
E aterrissei num barril de pólvora
De arenas movediças
Sob um céu de betume
Conchas que agonizam
Sem dizer nem uma palavra
Quando o galo a serviço da madrugada
Chegou com seu kikirikí
Acordei sonhando que viajava
Nu com uma mala na mão
De arenas movediças
Sob um céu alugado
Alfinetes que agonizam
Antes de nascer
Fui ao meu encontro, mas o horizonte
Estava cansado de esperar
São Pedro me chamou pelo nome
E eu não quis responder
E arenas movediças
Sob um céu de amido
Transatlânticos que aterrissam
Sem pedir perdão
Arenas movediças
Sob um céu de alcaçuz
Elevadores que agonizam
Pela cicatriz
Composição: Joaquín Sabina / Pancho Varona