395px

Brincar Por Brincar

Joaquín Sabina

Jugar Por Jugar

Sugiero que el más triste de los presos
Tenga derecho a sábanas de seda
Bendita sea la boca que da besos
Y no traga monedas

Propongo corromper al puritano
Espiar en la ducha a las vecinas
Ir a quitarle al Dios de los cristianos
Su corona de espinas

Nada de margaritas a los cuerdos
Hay que correr más que la policía
Para bailar el vals de los recuerdos
Llorando de alegría

La vida no es un block cuadriculado
Sino una golondrina en movimiento
Que no vuelve a los nidos del pasado
Porque no quiere el viento

Se aconseja dormir a pierna suelta
Lejos de tentaciones de diseño
Que no pase de largo por tu puerta
El hombre de tus sueños

La rana esconde un príncipe encantado
Tu boca un agridulce de membrillo
¡Qué ganas de un cursillo acelerado
De besos de tornillo!

Y jugar por jugar
Sin tener que morir o matar
Y vivir al revés
Que bailar es soñar con los pies

Conviene entrar penúltimo en la meta
De la vuelta a la infancia en patinete
Y fusilar al rey de los poetas
Con balas de juguete

Por qué no doctorarse en cremalleras
Como hace la hormiguita por tu espalda
E hilvanar con jirones de banderas
Braguitas rojigualdas

Hacen falta cosquillas para serios
Pensar despacio para andar deprisa
Dar serenatas en los cementerio
Muriéndose de risa

Brincar Por Brincar

Sugiro que o mais triste dos presos
Tenha direito a lençóis de seda
Bendita seja a boca que dá beijos
E não engole moedas

Proponho corromper o puritano
Espiar as vizinhas no chuveiro
Ir tirar do Deus dos cristãos
Sua coroa de espinhos

Nada de margaridas para os sãos
É preciso correr mais que a polícia
Para dançar o vals das memórias
Chorando de alegria

A vida não é um bloco quadriculado
Mas uma andorinha em movimento
Que não volta aos ninhos do passado
Porque o vento não quer

É aconselhável dormir à vontade
Longe das tentações de grife
Que não passe batido pela sua porta
O homem dos seus sonhos

A rã esconde um príncipe encantado
Sua boca um doce de marmelo
Que vontade de um curso acelerado
De beijos de parafuso!

E brincar por brincar
Sem ter que morrer ou matar
E viver ao contrário
Que dançar é sonhar com os pés

É bom entrar penúltimo na meta
Da volta à infância de patinete
E fuzilar o rei dos poetas
Com balas de brinquedo

Por que não se doutorar em zíperes
Como faz a formiguinha nas suas costas
E costurar com retalhos de bandeiras
Calcinha vermelha e amarela

Fazem falta cócegas para os sérios
Pensar devagar para andar rápido
Dar serenatas no cemitério
Morrendo de rir

Composição: Ariel Rost / Joaquín Sabina