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Orejano

Jorge Cafrune

Orejano

Yo sé que en el pago me tienen idea
Porque a los que mandan no les cabresteo
Porque despreciando las huellas ajenas
Sé abrirme camino pa' ir donde quiera

Porque no me han visto lamber la coyunda
No andar hocicando pa' hacerme de un peso
Y saben de sobra que soy duro e boca
Y no me sujeta ni un freno mulero

Porque cuando tengo que cantar verdades
Las canto derecho nomás a lo macho
Aunque esas verdades amuestren bichera
Donde nadie creía que hubiera gusanos

Porque al copetudo de riñón cubierto
Pa' quien no usa leyes ningún comesario
Lo trato lo mesmo que el que solo tiene
Chiripá de bolsa pa' taparse el rabo

Porque no me llenan con cuatro mentiras
Los maracanases que vienen del pueblo
A elogiar divisas ya desmerecidas
Y hacernos promesas que nunca cumplieron

Porque cuando traje mi china pa'l rancho
Me he olvidao que hay jueces pa hacer casamiento
Y que nada vale la mujer más buena
Si su hombre por ella no ha pagao derecho
Porque a mis gurises los he criado infieles
Aunque el cura chille que iran al infierno
Pues de nada valen los que solo saben
Estar todo el dia pirichando el cielo

Porque aunque no tenga ni ande caerme muerto
Soy más rico que esos que ensanchan sus campos
Pagando en sancochos de tumbas resecas
Al pobre peón que echa los bofes cinchando

Por eso en el pago me tienen idea
Porque entre los ceibos estorba un quebracho
Porque a tuitos ellos le han puesto la marca
Y tienen envidia de verme orejano

Y a mi que me importa soy chúcaro y libre
No sigo a caudillos ni en leyes me atraco
Y voy por los rumbos clareao de mi antojo
Y a naides preciso pa' hacerme baquiano

Orejano

Eu sei que no meu lugar eles têm uma ideia
Porque aos que mandam eu não me curvo
Porque desprezando as marcas dos outros
Consigo abrir meu caminho pra ir onde eu quiser

Porque não me viram lamber a corda
Não fico me arrastando pra ganhar um trocado
E sabem muito bem que sou duro na fala
E nem um freio de burro me segura

Porque quando tenho que cantar verdades
Canto direto, na cara, como um homem
Embora essas verdades mostrem a podridão
Onde ninguém acreditava que houvesse vermes

Porque pro metido de rim coberto
Pra quem não usa leis, nenhum comissário
Eu trato igualzinho ao que só tem
Um pano de bolsa pra cobrir o rabo

Porque não me enganam com quatro mentiras
Os maracanases que vêm do povo
Pra elogiar moedas já desvalorizadas
E fazer promessas que nunca cumpriram

Porque quando trouxe minha mina pro rancho
Esqueci que tem juízes pra fazer casamento
E que nada vale a mulher mais boa
Se seu homem por ela não pagou o certo
Porque criei meus filhos sem fé
Embora o padre grite que vão pro inferno
Pois de nada valem os que só sabem
Ficar o dia todo olhando pro céu

Porque mesmo que eu não tenha onde cair morto
Sou mais rico que esses que alargam suas terras
Pagando em sepulturas secas
Ao pobre peão que se esforça pra trabalhar

Por isso no meu lugar eles têm uma ideia
Porque entre os ceibos incomoda um quebracho
Porque a todos eles colocaram a marca
E têm inveja de me ver livre

E pra mim que importa, sou selvagem e livre
Não sigo caudilhos nem me prendo a leis
E vou pelos caminhos claros do meu desejo
E não preciso de ninguém pra me guiar

Composição: Serafin J. García, Pepe Guerra, Braulio López