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Perfil de Um Taura

José Fighera Salgado

Eu sou gaúcho
Cria dessa Pampa chucra
Nasci num rancho barreado
De chão batido
E fui largado encima d'um pelego véio
Logo depois do momento em que fui parido

Criado macho eu aprendi viver gaudério
Sempre detido em bochinchos e entreveiros
Pelos bolichos aprendi a cantar verso
Me destrinchando no ofício de guitarreiro
Pelos bolichos aprendi a cantar verso
Me destrinchando no ofício de guitarreiro

Desde de piasito eu sempre fui meio aporreado
Pois o chucrismo sempre foi a minha lei
Contando sempre com a sorte e o bagualismo
Saindo vivo das peleais que enfrentei

E o Rio Grande minha Pátria Legendária
Sempre levei entonada em meu cantar
Seja cantando ou seja peleando de adaga
Alma gaúcha sempre vive a relinchar
Seja cantando ou seja peleando de adaga
Alma gaúcha sempre vive a relinchar

Se muita gente me considera maleva
Por sustentar a estampa chucra que eu falo
Pouco me importo sou da estirpe galponeira
Deste Rio Grande feito a pata de cavalo

Nunca me omito em pronunciar a verdade
Nem me acovardo quando o bochincho se estoura
Com a prateada sempre presa na guaiaca
Seguro o tranco e quando acaba vou me embora
Com a prateada sempre presa na guaiaca
Seguro o tranco e quando acaba vou me embora

Eu aprendi no velho estilo do meu pago
Respeito a todos mas não pise no meu pala
Principalmente se estiver de bofe azedo
Mostro o valor de um taura da minha iguala
Principalmente se estiver de bofe azedo
Mostro o valor de um taura da minha iguala

Ando no mundo e não vou ficar pra semente
Vivo escorado na minha adaga e na minha sorte
Sigo cantando e bordoneando essa guitarra
E gauderiando até me topar com a morte
Sigo cantando e bordoneando essa guitarra
E gauderiando até me topar com a morte

Composição: José Fighera Salgado