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Velha Olhar Meu

José Larralde

Vieja Mirada Mía

Vieja mirada mía,
de trigos pesados de medio día,
de tierrales que bailan
por las lomitas
y bajan al arroyo a descansar
al fresco de los viejos berrales,
debajo de aquel puente
de la antigua aventura...
todo es antiguo,
o más que eso: es viejo,
tan viejo como el último sol
de mi primer suspiro,
tan viejo como la abundancia
y el hambre.

Quién me enseñó a no tocar
la fruta del vecino,
quién le enseñó
a él a enseñarme a mi.

Quién me enseñó
a sembrar mi propia fruta,
me acuerdo que me enseñaron
a no tocar la fruta del vecino...
es más fácil enseñar a enseñar,
que enseñar a aprender,
o a lo mejor, es menos riesgoso.

Vieja mirada mía,
de trigos pesados de medio día,
cuando llegan a vos
los vientos del camino
te enancasa el volar
de un yuyo seco,
y trepás los milagrosos secos
de las nubes quebradas por los truenos,
para ponerle luz a los relámpagos,
aquella luz que te enseñó el silencio...

Vieja mirada mía,
la de las orillitas de los sueños,
volveme cada tanto
a la soledad de la simpleza,
a la rama quebrada,
al pájaro indiferente cuando paso,
volveme cada tanto
a los barriales limpios,
al adobe,
a las mañanas blancas,
a los molinos
de las sedes largas,
al incoloro espacio
de las lágrimas,
al perdón casi hereje
que reencuentro
cuando miro a Dios...
hacer el alba.

Vieja mirada mía...
... de trigos pesados de medio día.

Velha Olhar Meu

Velha olhar meu,
de trigos pesados do meio-dia,
de terras que dançam
pelas colinas
e descem para o riacho descansar
no frescor dos velhos pé de goiaba,
debaixo daquela ponte
da antiga aventura...
tudo é antigo,
ou mais que isso: é velho,
tão velho quanto o último sol
do meu primeiro suspiro,
tão velho quanto a abundância
e a fome.

Quem me ensinou a não tocar
a fruta do vizinho,
quem ensinou
a ele a me ensinar.

Quem me ensinou
a plantar minha própria fruta,
lembro que me ensinaram
a não tocar a fruta do vizinho...
es mais fácil ensinar a ensinar,
do que ensinar a aprender,
ou talvez, é menos arriscado.

Velha olhar meu,
de trigos pesados do meio-dia,
quando chegam até você
os ventos do caminho
tua casa se transforma no voar
de uma erva seca,
e você sobe pelos milagrosos secos
das nuvens quebradas pelos trovões,
para dar luz aos relâmpagos,
aquela luz que o silêncio te ensinou...

Velha olhar meu,
a das margens dos sonhos,
me traga de vez em quando
à solidão da simplicidade,
ao galho quebrado,
ao pássaro indiferente quando passo,
me traga de vez em quando
aos pântanos limpos,
ao adobe,
a manhãs brancas,
aos moinhos
das sedes longas,
ao espaço incolor
das lágrimas,
ao perdão quase herege
que reencontro
quando olho para Deus...
fazer a aurora.

Velha olhar meu...
... de trigos pesados do meio-dia.

Composição: