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Milonga dos Meus Amores

José María Contursi

Milonga de mis amores

Oigo tu voz
engarzada en los acordes de una Iírica guitarra...
Sos milonga de otros tiempos... Yo te vi crecer
prendida en las polleras de un bailongo guapo y rompedor
como jamás ha de volver.

Nadie, tal vez,
comprendió mejor las penas y el sentir de mi barriada...
Sin embargo te olvidaron y en el callejón
tan sólo una guitarra te recuerda, criolla como vos,
y en su gemir tiembla mi ser.

Vuelvo cansado de todo
y en mi corazón lloran los años...
Mi vida busca tan sólo
la tranquilidad del viejo barrio...
Y encuentro todo cambiado menos tu canción, milonga mía...
El progreso ha destrozado toda la emoción
de mi arrabal.

Quiero olvidar
y tus notas van llenando de tristeza el alma mía...
He cruzado tantas veces ese callejón,
llevando entre los labios un silbido alegre y tu cantar
emborrachando el corazón.

Era feliz
entregado a las caricias de la única sincera
que acunó una primavera que no floreció...
Milonga, ya no puedo continuar... El llanto me venció...
Quiero olvidar... y pienso más.

Milonga dos Meus Amores

Ouço sua voz
presa nos acordes de uma guitarra lírica...
Você é milonga de outros tempos... Eu te vi crescer
presa nas saias de um bailão bonito e arrebentador
como nunca mais vai voltar.

Ninguém, talvez,
compreendeu melhor as dores e os sentimentos da minha quebrada...
No entanto, te esqueceram e no beco
só uma guitarra te lembra, tão criolla quanto você,
e em seu gemido, meu ser treme.

Volto cansado de tudo
e em meu coração choram os anos...
Minha vida busca apenas
a tranquilidade do velho bairro...
E encontro tudo mudado, menos sua canção, milonga minha...
O progresso destruiu toda a emoção
do meu arrabal.

Quero esquecer
e suas notas vão preenchendo de tristeza minha alma...
Já cruzei tantas vezes esse beco,
levando entre os lábios um assobio alegre e seu cantar
embriagando o coração.

Era feliz
entregue aos carinhos da única sincera
que embalou uma primavera que não floresceu...
Milonga, já não posso continuar... O choro me venceu...
Quero esquecer... e penso mais.

Composição: Pedro Laurenz / José María Contursí