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Mirta De Volta

Juan Carlos Baglietto

Mirta De Regreso

De regreso, Mirta
Ya sabes, tres años a la sombra
No quiero saber si me fuiste fiel
Yo sé que una mujer valiente se inclina igual
Para el lado de la sed

Servime algo, Mirta
Parece mentira el verte como antes
Pero para el que vuelve del infierno
Ya no hay más fantasías
Solo quiere un tiempo blando
Pero esto Mirta nunca lo sabrás

No es necesario que estés alegre
Ni que prendas la luz
Entré despacio sin que me vea nadie
La noche se abre como un abrigo, Mirta
Y es un sábado más, como dice el tango
Mirta contame cómo andás

Hacé de cuenta que estuve navegando
Es casi lo mismo solo cambia el paisaje
Abajo el mar, que nunca se ve
Arriba el cielo, el cielo raso
Y tu foto en la pared

La moda ha cambiado un poco, Mirta
Ya no hay ni un pelo largo
Todos parecen soldados
Me siento parado en un cementerio
Me recibió el frío y un nuevo gobierno
Mirta no recuerdo ni tu cuerpo

Y ahora me voy, Mirta
Para vos soy un extraño conocido
Si no estoy llorando, no ves cómo me la aguanto
Debajo de la cama asoman sus zapatos
Mirta gracias por todo

Salgo a la verja, parece que ha llovido
En la estación retumba el Estrella del Norte
Vení a verme cuando salgas, me dijo el Turco
Comés todos los días y no hay problemas de laburo
Solo algunas noches
Solo algunas noches
Salís a trabajar

Mirta De Volta

De volta, Mirta
Você sabe, três anos na sombra
Não quero saber se você foi fiel
Eu sei que uma mulher corajosa se curva igual
Para o lado da sede

Me serve algo, Mirta
Parece mentira te ver como antes
Mas para quem volta do inferno
Não há mais fantasias
Só quer um tempo tranquilo
Mas isso, Mirta, você nunca saberá

Não é necessário que você esteja alegre
Nem que acenda a luz
Entrei devagar sem que ninguém me visse
A noite se abre como um abrigo, Mirta
E é mais um sábado, como diz o tango
Mirta, me conta como você está

Faz de conta que estive navegando
É quase a mesma coisa, só muda a paisagem
Embaixo o mar, que nunca se vê
Em cima o céu, o teto
E sua foto na parede

A moda mudou um pouco, Mirta
Já não tem nem cabelo longo
Todos parecem soldados
Me sinto parado em um cemitério
O frio me recebeu e um novo governo
Mirta, não lembro nem do seu corpo

E agora eu vou, Mirta
Para você sou um estranho conhecido
Se não estou chorando, não vê como eu me aguento
Debaixo da cama aparecem seus sapatos
Mirta, obrigado por tudo

Saio para o portão, parece que choveu
Na estação ecoa o Estrela do Norte
Vem me ver quando sair, me disse o Turco
Você come todos os dias e não tem problemas de trabalho
Só algumas noites
Só algumas noites
Você sai para trabalhar

Composição: Adrián Abonizio