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Canção

Juan Seren

Canción

Una canción se prende al vientre de su nombre
Y en oraciones se estremece en los sonidos
De una prisión de cuerdas y temblores
Maderas y tensiones que escapan de su nido

A su razón la esperan sombras de haber sido
Semilla hirviente pa'l sentido amigo
Quien la acaricie y le dé sus amores
Sin más pretensiones que haberse oído

Una canción no llevan rimas hechas
Ni partituras ni palabras secas
Es su misión llegar sin distracciones
Al hogar cálido de corazones
Que en ella dejen su carne sus penas
Su barrio de entera alma por los rincones

Una canción nace tan huérfana del hombre
Qué vuelta alto resistiéndose a los tiempos
Ella que abraza sin mirar presente en el compas
De cada cual, con sus lamentos

Al desazón nunca lo entiende por motivo
A la ilusión le brinda el paso en su extravío
Es que tan pronto junte a sus porciones
Sembrará verdades donde le han pedido

Una canción no lleva encima fechas
Falsas mixturas cargadas maletas
En su rigor llega sin obstrucciones
Al cielo claro de soñadores
Que en ella besen sencillez
Y abriguen su niñez
En versos que amarren sus soles

Canção

Uma canção se prende ao ventre de seu nome
E em orações estremece nos sons
De uma prisão de cordas e tremores
Madeiras e tensões que escapam de seu ninho

À sua razão esperam sombras do ter sido
Semente fervente para o sentido amigo
Quem a acariciar e dar seus amores
Sem mais pretensões do que ter sido ouvida

Uma canção não traz rimas feitas
Nem partituras nem palavras secas
Sua missão é chegar sem distrações
Ao lar acolhedor de corações
Que nela deixem sua carne suas dores
Seu bairro de inteira alma pelos cantos

Uma canção nasce tão órfã do homem
Que volta alto resistindo aos tempos
Ela que abraça sem olhar presente no compasso
De cada um, com seus lamentos

À desilusão nunca entende por motivo
À ilusão oferece passagem em seu extravio
É que tão logo junte suas porções
Semeará verdades onde lhe pediram

Uma canção não carrega consigo datas
Falsas misturas, malas carregadas
Em seu rigor chega sem obstruções
Ao céu claro dos sonhadores
Que nela beijem simplicidade
E abriguem sua infância
Em versos que amarrem seus sóis

Composição: Juan Seren