Na poeira da estrada
Do silêncio e do pó
Vou cantando sozinho
De Sol a Sol
Do pampa até o litoral
Ouço a gaita se entregar
Cada nota é lembrança
Que vem me buscar
O violão me chama
Em corda e oração
Batendo junto
Firme
Com o tambor do coração (ô meu coração)
A gaita me faz chorar, lembranças que não tem mais fim
Mas à estrada é minha companheira sem fim
E a estância dos meus pais
Eu avisto lá de longe
Feita em barro
Campo e canção
E o cheiro de mate no galpão, da avó fazendo o jantar
Foi ali que eu cresci vendo o vô à conversar
Com os pés colados no chão sempre fui assim
Sou gaúcho de alta tradição
Chamado desde piá pelo meu pai e meu irmão
De gaiteiro e tocador de violão, eu sou assim gaúcho de tradição
Na beira da mesma estrada
Resolvo então descansar
Minha alma desassossegada
Na luz mansa do luar
Meus olhos começam a ver
O que o tempo não levou de mim
Riso solto na mangueira
Cada domingo que passou foi a certeza que levo vocês aqui
Em cada poeira desse chão
A viola ainda ecoa
Nos corredores do galpão
Cada fio de cabelo branco do meu pai
É raiz desse rincão (desse rincão)
E as lembranças me levam mais longe daqui
Do meu avô Theodoro que já partiu, para estância do céu
Apontando o caminho para mim
Eu só tenho satisfação, de chamar pai de vô
Um gaúcho de tradição
E a estância dos meus pais
Eu avisto lá de longe
Feita em barro
Campo e canção
E o cheiro de mate no galpão
Foi ali que eu cresci
Com os pés colados nesse chão
Sou gaúcho
Chamado desde piá pela tradição
Se um dia o mundo me levar daqui
Pra bem longe desse lugar
Levo o casco sujo de terra, e faço no céu uma estrada brilhar
E essa vontade de voltar (de voltar)
Minha última morada será aqui
Onde meu vô me ensinou a amar terra e dela cantar
Saudades vem
Me buscar