O despertador batuca na cozinha
Cheiro de café rodando o chão
Panela faz gira com a farinha
É bloco de pijama no portão
A rua esquenta cedo
Bar da esquina
Vizinho grita: Bom dia
Meu irmão
Menino risca o asfalto em linha fina
Desenha carnaval no coração
É samba de enredo da nossa rotina
Da sala
Da rua
Do portão pra vida
Família na roda
Amor que ilumina
Mostrando o horizonte em cada saída
É samba de enredo da nossa rotina
Na mesa apertada a alma é florida
Se o mundo balança
A gente se afina
Cantando mais alto pra curar a ferida
Mãe varre as preocupações da calçada
Pai chega suado
Sorriso em flor
Na porta
Uma sandália abandonada
Testemunha antiga de um velho amor
Criança faz desfile pela casa
Com pano de prato
Cor de bandeira
Avó puxa a primeira lembrança em brasa
Desfila saudade na sexta-feira
Se a chuva cair
É confete no chão
Se a conta atrasar
A gente dá a mão
Abraço é escudo
Feijão é oração
Na foto amassada cabe o nosso salão
É samba de enredo da nossa rotina
Da sala
Da rua
Do portão pra vida
Família na roda
Amor que ilumina
Mostrando o horizonte em cada saída
É samba de enredo da nossa rotina
Na mesa apertada a alma é florida
Se o mundo balança
A gente se afina
Cantando mais alto pra curar a ferida
É samba de enredo da nossa rotina
Do chão da favela à beira da avenida
Família é enredo
Amor é escola
Horizonte aberto em cada partida
É samba de enredo da nossa rotina
Da porta entreaberta à tarde colorida
Se a noite vier pesada
A gente ensina
Que o dia renasce em roda reunida