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Rapé

Julio Sosa

Tabaco

Tu voz surgió en las sombras
Como un lejano reproche,
Tu voz que llora y me nombra
Mientras más aún se asombran
Los fantasmas de esta noche.
Están mis ojos cerrados
Por el terror del silencio,
Mi corazón desgarrado
Porque no me he perdonado
Todo el mal que te causé.

Más,
Muchísimo más,
Extrañan mis manos
Tus manos amantes...
Más,
Muchísimo más,
Me aturdo al saberte
Tan cerca y tan distante...
Y mientras fumo
Forma el humo tu figura
Y en el aroma
Del tabaco, tu fragancia
Me conversa de distancias,
De tu olvido y mi locura...
Tú,
Que vives feliz,
Tal vez esta noche
Te acuerdes de mí.

Parece un sueño de angustia
Del que despierto temblando,
Y están tiradas y mustias
Las violetas de esta angustia
Y mis ojos sollozando...

Los pobres siguen cerrados
Por el terror del silencio;
Mi corazón desgarrado,
Porque no me he perdonado
Todo el mal que te causé.

Rapé

Sua voz surgiu nas sombras
Como um opróbrio distante,
A sua voz chorando e me nomeando
Enquanto ainda se maravilhar
Os fantasmas esta noite.
Os meus olhos fechados
Terror de silêncio,
Meu coração dilacerado
Porque eu não perdoou
Todo o mal que eu causei.

Mais,
Muito mais,
Senhorita minhas mãos
Suas mãos amantes ...
Mais,
Muito mais,
Eu aturdo para saberte
Tão perto e tão longe ...
E enquanto eu fumo
Forma a sua figura fumaça
E no aroma
De rapé, sua fragrância
Eu falo de distâncias,
Seu esquecimento e minha loucura ...
Você,
Você vive feliz,
Talvez hoje à noite
Lembre-se de mim.

Parece um sonho ansiedade
Eu acordei do tremor,
E eles tiraram e murcha
Violetas desta angústia
E chorando meus olhos ...

Os pobres permanecem fechados
Terror de silêncio;
Meu coração quebrado,
Porque eu não perdoou
Todo o mal que eu causei.

Composição: Armando Pontier / José María Pontier