Madeiro, sangue, céu em luto
O véu do mundo vai tremer
Três cruzes cortam o horizonte
E o inferno começa a perceber
Pregado entre ladrões, o santo em dor
Coroa de espinhos, mas ainda Rei
A multidão gritava: Onde está teu poder?
Mas o silêncio do Cordeiro
Era mais alto que a lei
À esquerda, o escárnio envenenado
À direita, um resto de fé
No centro, o autor da vida
Sangrando amor até o fim de pé
E o céu fechou seus olhos
A terra prendeu a respiração
Quando o homem viu Deus morrer
Por pura redenção
Não era um fantasma da ópera
Não era ilusão nem encenação
Era o filho, o alfa e ômega
Rasgando a morte com as mãos
Não era sombra no palco
Nem voz perdida na escuridão
Era o Cristo, vivo e santo
Vencendo a cruz e a perdição
Ladrão da esquerda
Se és o Cristo, salva a ti mesmo
E salva a nós também
Ladrão da direita
Tu não temes Deus nem um momento?
Nós colhemos o que fizemos, enfim
Mas este homem é inocente
Não há culpa alguma n'Ele, enfim
Ladrão da direita
Jesus, lembra de mim
Quando entrares no teu reino
Jesus
Eu te digo, escuta bem
Hoje estarás comigo
No paraíso além
Então o véu se rasgou em dois
A terra tremeu sob seus pés
As pedras gritaram o que os homens calaram
Verdadeiramente, Ele é
Jesus
Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito
E o céu chorou em escuridão
Mas o inferno sorriu cedo demais
Porque o túmulo não segura
Aquele que cria a paz
Silêncio no sepulcro
Mas não derrota, não
Só o intervalo eterno
Antes da ressurreição
Não era um fantasma da ópera
Não era teatro, mito ou visão
Era o verbo feito carne
Cravado ali por salvação
Não era eco no escuro
Nem personagem de invenção
Era o Cristo ressurgindo
Pra sempre vivo em glória e poder
Pedra rolada
Morte calada
O terceiro dia amanheceu
O inferno perde
A vida acende
O Cordeiro santo reviveu
Não era um fantasma da ópera
Era o leão que voltou do pó
Era o Cordeiro imolado
Mas vivo, invicto, maior
Os pregos não o prenderam
A cruz não foi o fim da canção
Jesus venceu de verdade
E reina em ressurreição
Vivo
Vivo está
Não no palco
Mas no trono a reinar
Vivo
Vivo está
O crucificado
Voltou pra nunca mais morrer