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Reduzindo A Bagagem da Vida

Kakinda do Seles

É, meus irmãos, a vida vai nos arrancando lágrimas em silêncio
Vai nos ensinando na dor aquilo que o orgulho nunca ensinou
E sem percebermos, começamos a valorizar a paz
Mais do que qualquer riqueza

De repente, tudo muda sem avisar
O tempo passa e começa, a nos transformar
Percebemos
Corrida por vaidade, só deixa vazio e saudade

Já não precisamos provar quem somos
Quem nos conhece acredita em nós sem dúvidas
As opiniões ficam pelo vento, hoje seguimos mais o sentimento

Vamos reduzindo as bagagens da vida
Deixando para trás dor escondida
Perdemos pessoas, ganhamos direção
E descobrimos paz no coração

Hoje vivemos mais tranquilos, sem inveja, sem perigos
Aprendemos a ouvir o silêncio quando a alma pede socorro
A vida é assim, ô ngana, o importante é viver com verdade
Sem perder amor nem dignidade, ê ngana, ê ngana

O mundo gira, ninguém manda em ninguém
No fim da estrada o que resta?
Quem viveu com amor e respeito

Já paramos de julgar caminhos
Porque cada um carrega espinhos
Há quem sorria vivendo na dor
Há quem perdeu, mas ainda tem amor

Aprendemos que viver é profundo
Nem sempre vence quem tem o mundo
Há quem tenha luxo e solidão
E quem, sem nada, carrega gratidão

Hoje caminhamos sem medo do futuro
Mesmo quando o céu fica escuro
Porque a vida não pede perfeição
Só verdade dentro do coração

Oh, mama
A felicidade mora nas coisas simples: Num abraço sincero
Num prato quente na mesa, num filho sorrindo
Num coração em paz

(A vida é assim, ô ngana)
Tudo passa igual água no rio kwanza
(Quem planta amor nunca está só)
Mesmo na tempestade, Deus mostra a direção
Ê ngana, ê ngana

Hoje já não temos medo de ninguém
Porque aprendemos no silêncio da vida
Que paz vale mais que riqueza fingida

Reduzimos as bagagens, mas crescemos por dentro
Hoje vivemos mais leves, mais humanos, mais verdadeiros
Mais em paz, porque, no fim, não basta passar pela vida das pessoas
É preciso deixar algo que valha a pena

Composição: Antônio Avelino