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As Façanhas de Zé Brabo No Sertão

Kiko di Faria

O seu nome é um mistério
Ele era um profeta, poeta, um lutador
Um forte, um bravo, homem de coragem
Só se rendeu quando encontrou o amor

Andou errando em trilhas chapadeiras
Andando a esmo, até se encontrar
Frente a frente com o delegado, Seu Tião Teles
Um homem honrado, que fez de tudo pra o ajudar

Dessa amizade se contam histórias
Lendas ou fatos, não dá pra saber
Contam que eles prenderam o diabo
Na corrutela do: Só Ver Pra Crêr!

Dizem que ele, o dito tinhoso
Se encarnara em um valentão
Que dava tapa, tiro e quebrava
Tudo o que ele botava a mão

Quebrou a zona e espancou as putas
Surrou sem dó quem o desafiou
Mas sucumbiu à fúria do Zé Brabo
Que o enfrentou sem sisma e sem temor
Subjugando o adversário
Cumpriu o que Seu Tião determinou

Meteu algemas no próprio diabo
Levando em cana o grande malfeitor

Mas esse homem, que nem o diabo
Tivera força pra fazer falhar
Se rendeu todo e se fez prisioneiro
De uma jovem com seu belo olhar

Foi a Cirena, mulata faceira
Que era até sobrinha do Delegado
Quem conquistou e amansou de vez
A força bruta do grande Zé Brabo

Os dois casaram-se e formaram família
E se espalharam por todo o sertão
Quando Zé Brabo cumpriu sua sina
Partiu deixando grande comoção

Viveu a vida com profundidade
Amou, lutou com determinação
Subiu pro céu e se juntou aos seus
Virando mito em todo o sertão

Ele que em vida venceu o diabo
Foi no amor que achou seu quinhão
Plantou no peito da linda mulata
A sua vida e todo o seu amor
Se fez eterno em sua descendência
Que canta as glórias do seu genitor

Mas se acaso não acreditar
Vá tirar prova com quem me contou

Composição: Kiko di Faria