Ontem
Eu menino!
Olhei para vovô ao pé do fogo
A bebericar uma xícara de café
Enquanto fitava a cheia Lua
Que majestosa, enchia todo o sertão
E perguntei-lhe então, do fundo de minh'alma
Porque és agora, apenas uma parte pequena
Do forte ser, que já fostes um dia?
Porque sou agora, apenas uma parte pequena
Do forte ser, que posso ser um dia?
Vovô sorrindo, levou aos lábios, sua xícara
Sorveu mais um gole de café
Suspirou profundamente e disse me
Filho do filho meu, meu neto!
Escutai aquilo que diz e ensina o tempo!
O amanhã é promessa e por isso mesmo, ainda está por vir!
O agora é o que se tem, é um presente!
O ontem é o que se é, o que se é!
O que vês, não é o que sobrou do que um dia eu fui
O que vês, é o que resta, para que eu ainda seja
Todo o meu ser está, quase completo!
Quando eu houver passado, pela porta da morte
E vestir em definitivo a túnica do passado
Estarei pleno, completo e absoluto no ontem
Aquilo que sou e sempre fui, do qual eu não posso fugir, terei enfim me tornado!
Já você, filho do filho meu, meu neto!
Está no princípio de si, disso esteja certo!
És o que és, ainda, por se tornar, então, seja!
Deixa, que seja!