Dies Irae
Que ce soit à Lima, sur le quai de Valmy
Près de Yokohama, au pays des momies
Chacun sera figé, ébahi, nez en l'air
Le clodo, l'agrégé, le motard en colère
Chacun, sur la planète, restera ahuri
Le gros roux à lunettes, le montreur d'otaries
Tous les gens d'Avallon, de Bahia, de Bali
Le tapeur de ballon et le curé qui lit
Dies irae, dies irae, dies irae, dies irae
Le gars du bar-tabac de la rue Rambuteau
Estomaqué, baba, en perdra son loto
Chacun sera saisi, muet, cloué sur place
De la Mélanésie aux igloos dans la glace
Le flic en pyjama, sorti pour une envie
La star de cinéma dans le rôle de sa vie
Chacun sera sonné, médusé, incrédule
L'abbé, le condamné, le gardien, la pendule
Dies irae, dies irae, dies irae, dies irae
Les athées, les cathos, les bigots, les impies
Les clowns du chapiteau, les rêveurs d'utopies
Chacun sera choqué, sidéré, confondu
Le fou du bal masqué, comme le roi des tordus
Au casino de Spa, un dernier hidalgo
Fera le dernier pas de son dernier tango
Les frigos, les cafetières, les lapis-lazuli
Tout ira en poussière, même les canapés-lits
Dies irae, dies irae, dies irae, dies irae
Sur un tapis d'Orient surgissant du passé
Deux amoureux souriants s'envoleront enlacés
Puis il n'y aura plus rien sur la Terre endormie
Ni de mal ni de bien, ni de quai de Valmy
Le monde sera sauvé, chacun sera d'accord
Jésus, Bouddha, Yahvé, Mahomet, qui encore?
Le monde sera sauvé, chacun sera d'accord
Trois Pater, deux Ave, gloria! Confiteor!
Dies irae, dies irae, dies irae, dies irae
Dies irae, dies irae, dies irae, dies irae.
Dia da Ira
Que seja em Lima, na praça Valmy
Perto de Yokohama, no país das múmias
Cada um ficará paralisado, boquiaberto, olhando pro céu
O mendigo, o professor, o motoqueiro nervoso
Cada um, no planeta, ficará atordoado
O grandão de óculos, o domador de leões
Todo mundo de Avallon, da Bahia, de Bali
O cara que joga bola e o padre que lê
Dia da ira, dia da ira, dia da ira, dia da ira
O cara do bar da rua Rambuteau
Ficará chocado, bobo, vai perder seu prêmio
Cada um será pego, mudo, cravado no lugar
Da Melanésia aos iglus no gelo
O policial de pijama, saindo pra um desejo
A estrela de cinema no papel da sua vida
Cada um ficará atordoado, pasmo, incrédulo
O padre, o condenado, o guarda, o relógio
Dia da ira, dia da ira, dia da ira, dia da ira
Os ateus, os católicos, os fanáticos, os ímpios
Os palhaços do circo, os sonhadores de utopias
Cada um ficará chocado, atônito, confuso
O maluco da festa à fantasia, como o rei dos tortos
No cassino de Spa, um último hidalgo
Fará o último passo do seu último tango
As geladeiras, as cafeteiras, os lápis-lazúli
Tudo se tornará poeira, até os sofás-camas
Dia da ira, dia da ira, dia da ira, dia da ira
Sobre um tapete oriental surgindo do passado
Dois amantes sorridentes voarão abraçados
Então não haverá mais nada na Terra adormecida
Nem mal nem bem, nem praça Valmy
O mundo será salvo, todos estarão de acordo
Jesus, Buda, Javé, Maomé, quem mais?
O mundo será salvo, todos estarão de acordo
Três Pais Nossos, duas Ave Marias, glória! Confesso!
Dia da ira, dia da ira, dia da ira, dia da ira
Dia da ira, dia da ira, dia da ira, dia da ira.