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Colapso das Certezas

Léo Martins

Tanto tempo aprisionado nas garras da solidão
Um folclore de alucinações cercando a razão
Tem gente pagando caro pra viver cercada
De mulas sem cabeça apontando a estrada

Outros pulam como saci de promessa em promessa
Somem quando chega a conta, só deixam a conversa
Um bando de lobos famintos começa a devorar
Destruindo tudo em volta, sem ninguém pra segurar

Vi um pouco de tudo, mas não me perdi
Tento seguir, apesar de onde eu vim
Os sinais estavam ali, eu demorei a perceber
Quando escutei o aviso, tudo estava pra ceder

Colapso em tudo que acreditamos
Até o fim, foi nisso que nos agarramos
O medo anuncia o fim
Mas não escolhe por mim

Ao olhar o calabouço, vejo tudo ruir
Mas sigo firme, mesmo sem saber
O que virá por aqui
O que virá por aqui
O que virá por aqui

Um vulcão sob os pés, prestes a explodir
O caos toma o espaço onde eu tentava construir
Projetos interrompidos, alegam força maior
Quem entregou a chave abriu a porta pro pior

Entre idas e voltas, sempre na estaca zero
Cada nova tentativa alimentando o desespero
Servem pratos vazios pra uma fome de ideias
O corrupto posa de novo com as mesmas roupas velhas

Vi um pouco de tudo, mas não me perdi
Tento seguir, apesar de onde eu vim
Os sinais estavam ali, eu demorei a perceber
Quando escutei o aviso, tudo estava pra ceder

Colapso em tudo que acreditamos
Até o fim, foi nisso que nos agarramos
O medo anuncia o fim
Mas não escolhe por mim

Ao olhar o calabouço, vejo tudo ruir
Mas sigo firme, mesmo sem saber
O que virá por aqui
O que virá por aqui
O que virá por aqui

Um trevo de quatro folhas na mão dos endividados
A sorte não responde aos boletos atrasados
Pernas pesadas de tanto andar
Atrás de um sonho que eu nem escolhi sonhar

Ao revirar a história à procura de glória
Só encontrei desesperados apagados da memória
Meu corpo cobra a espera que ninguém me devolveu
Preso àquela valsa que nunca me pertenceu

O papo tem que ser reto, se for torto, é contigo mesmo
Covardia, covardia, só vejo mais do mesmo
Tempero no discurso, soluções salgadas
E eu sigo pela rua tropeçando nas calçadas

Colapso em tudo que acreditamos
Até o fim, foi nisso que nos agarramos
O medo anuncia o fim
Mas não escolhe por mim

Ao olhar o calabouço, vejo tudo ruir
Mas sigo firme, mesmo sem saber
O que virá por aqui
O que virá por aqui
O que virá por aqui

Vi um pouco de tudo, mas não me perdi
Ainda não sei o que virá por aqui

Composição: Leonardo de Souza Martins