Abram as cortinas, acendam as luzes
Todo ciclo que parece infinito tem seu fim
Quando as barreiras da virtude cedem, não dá pra fugir
Sangue por sangue, olho por olho, dente por dente
Psicopatas brincam de casinha com gente
Carta escondida na manga, partida perdida
O blefe continua mesmo quando custa uma vida
Afogados no próprio vômito, juram ter razão
Chamam de liberdade a própria destruição
Ando no fogo, descalço, tentando resistir
Defendendo aquilo que os outros deixam ruir
Ilusionismo barato, cada truque tem um preço
Lavaram as mãos, mas as marcas eu reconheço
Motivo torpe, objetivo fútil
Cogitação, preparação
Execução, consumação
No fim, ninguém assume a própria ação
Abram as cortinas, acendam as luzes
Chegou o show dos derrotados
No palco, os falidos vendem glória
Na plateia, os mesmos enganados
O show dos derrotados
O show dos derrotados
O show dos derrotados
Quem mora numa obra que nunca terminou
Quer pôr vidro no telhado que ainda nem levantou
Quando jogarem pedras, anotem quem atirou
É quem esconde as rachaduras que a própria mão deixou
Quem tem a chave da porta não cai no alçapão
Mas chama de escolha o que impõe como prisão
Vi gente comendo com as pombas na calçada
Enquanto a mesa farta não repartia nada
Quem faz da hipocrisia um caminho pra subir
Pode chamar de irmão, mas não vai me iludir
Desci até o esgoto, sem ter onde ficar
E os ratos me abraçaram: Aqui é o seu lugar
Abram as cortinas, acendam as luzes
Chegou o show dos derrotados
No palco, os falidos vendem glória
Na plateia, os mesmos enganados
O show dos derrotados
O show dos derrotados
O show dos derrotados
O céu é um lugar que eu não vou alcançar
Amanhã a rua ferve, eu continuo a gelar
Suando frio, com a febre da fraude
A mentira sobe ao palco, sempre tem alguém que aplaude
Dinheiro em caixa, chamam isso de solução
Os nomes dos que caíram ficam fora da equação
Se até os lobos andam juntos pra se proteger
Às vezes, andar sozinho é o que impede de morrer
Abram as cortinas, acendam as luzes
Chegou o show dos derrotados
No palco, os falidos vendem glória
Na plateia, os mesmos enganados
O show dos derrotados
O show dos derrotados
O show dos derrotados
Um dia a casa cai, será?
Somente se a plateia acordar