395px

Saudade

Les Luthiers

Añoralgias

Esta zamba canto a mi tierra distante
Cálido pueblito de nuestro interior
Tierra ardiente que inspira mi amor
Gredosa reseca, de sol calcinante
Recordando esa tierra quemante
Resuena mi grito ¡que calor!

Como te recuerdo mi lindo pueblito
Con tu aire húmedo y denso de día
Noches cálidas de fantasía
Pobladas de magia de encanto infinito
Y el cantar de tu fresco arroyito
Salvo en los diez meses de la sequía

Siempre fue muy calmo mi pueblo adorado
Salvo aquella vez que pasó el huracán
Viejos pagos que lejos están
Mi tierra querida, mi dulce poblado
Tengo miedo de que hallas cambiado
Después de la última erupción del volcán

Tierra que hasta ayer mi niñez cobijaba
Siempre te recuerdo con el corazón
Aunque aquel arroyito dulzón
Hoy sea un hirviente torrente de lava
Que por suerte a veces se apaga
Cuando llega el tiempo de la inundación

Los hambrientos lobos aullando estremecen
Cuando son mordidos por fieros mosquitos
No se puede dormir por los gritos
De miles de buitres que el cielo oscurecen
Siempre algún terremoto aparece
Y al atardecer llueven meteoritos

Y si a mi pueblito volver yo pudiera
A mi viejo pueblo al que no he regresado
Si pudiera volver al poblado
Que siempre me llama, que siempre me espera
Si a mi pueblo volver yo pudiera
No lo haría ni mamado

Saudade

Esta zamba canto pra minha terra distante
Aconchegante vilarejo do nosso interior
Terra ardente que inspira meu amor
Terra seca, de sol escaldante
Lembrando dessa terra que queima
Ressoa meu grito, que calor!

Como eu me lembro do meu lindo vilarejo
Com seu ar úmido e denso durante o dia
Noites quentes de fantasia
Povoadas de magia de encanto infinito
E o canto do seu fresquinho riachinho
Salvo nos dez meses da seca

Sempre foi muito calmo meu povo adorado
Salvo aquela vez que passou o furacão
Velhos lugares que estão tão longe
Minha terra querida, meu doce povoado
Tenho medo de que você tenha mudado
Depois da última erupção do vulcão

Terra que até ontem abrigava minha infância
Sempre te lembro com o coração
Embora aquele riachinho docinho
Hoje seja um torrente fervente de lava
Que por sorte às vezes se apaga
Quando chega a época da inundação

Os lobos famintos uivando estremecem
Quando são mordidos por mosquitos ferozes
Não se pode dormir pelos gritos
De milhares de urubus que escurecem o céu
Sempre algum terremoto aparece
E ao entardecer chovem meteoros

E se eu pudesse voltar pro meu vilarejo
Pro meu velho povo que não retornei
Se eu pudesse voltar pro povoado
Que sempre me chama, que sempre me espera
Se eu pudesse voltar pro meu povo
Eu não faria nem bêbado.

Composição: Les Luthiers