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Calar Me Mata

LOCURA POÉTICA

Callar Me Mata

Ocho años
Encerrado aprendiendo a convivir conmigo mismo
Más de cuarenta buscando salidas donde casi nunca las había
Y otros tantos escribiendo
Para no romperme del todo

Poesía
Versos
Frases, trazos y colores
Arte nacido de lo vivido
De la sangre y del barro

La mala vida enseña lento
Las adicciones llegan disfrazadas de alivio

Y te cobran años
Que no vuelven
Días vacíos
Noches que no acaban
La desesperanza
Como única compañía

He vivido todo eso y sigo aquí
Cada palabra que escribo
Lleva ese peso
Esa verdad
Que muchos no quieren mirar

No escribo para gustar
Escribo porque callar me mata por dentro
Porque cada verso es un intento
De ordenar el desastre
De que alguien vea
Lo que yo he visto
Y decida no rendirse

Aquí se tolera todo lo vacío
Vídeos con pezuñas de camello
Como si fueran arte
Amenazas lanzadas

Como si fueran normales
Dinero negro
Circulando entre sombras
Vidas destruidas
Como espectáculo

Y nadie mueve un dedo
Pero si uno habla de la vida real
De la mala vida
De lo que duele de verdad
Entonces aparecen los censores

Vuelven los años
De prohibición
Te borran la cuenta porque eres un grano en el culo
Porque molestas
Con la verdad que no quieren ver

Pues a mí eso
Me la trae muy floja
Nunca he ganado un céntimo
Con esta gente
Y tampoco lo quiero

No vivo de esta aplicación
Ni necesito su aprobación
Ni me importa su veneno barato

Quizá esto sea una despedida
Porque seguramente
No guste lo que digo
Y si no gusta no pasa nada

Yo con ellos no gano nada
Yo escribo para quien vale la pena
Para quien aún siente

Para quien duda
Para el que camina
Con los bolsillos llenos de sombras

Y todavía busca un motivo
Para levantarse

Mis letras son para abrir conciencias
Para sacar a la luz lo que muchos ocultan

Para gritar lo que la vida enseña a golpes
Y que otros no quieren admitir
Los haters no suman

Y esta plataforma tampoco ayuda
Pero mientras hay alguien
Al otro lado
Que entienda el mensaje
Seguiré contando la vida
Que otros esconden

Aunque molesten
Aunque censuren
Aunque duela

Porque el arte que nace de la experiencia no se calla
No se vende
No se somete

Y yo ya he vivido demasiado
Como para perder ahora la voz
Como para ocultar lo que vi

Lo que sentí
Lo que sobreviví

A los que ladran desde perfiles vacíos
Opinando sin haber vivido nada
Vuestros comentarios no me frenan
Me empujan
No me hieren
Me confirman
Me recuerdan
Que voy por el camino correcto

Mientras escribís desde la nada
Yo sigo creando desde lo vivido
Y eso
Aunque os joda
No lo podéis tocar

Calar Me Mata

Oito anos
Fechado aprendendo a conviver comigo mesmo
Mais de quarenta buscando saídas onde quase nunca havia
E outros tantos escrevendo
Pra não me quebrar por completo

Poesia
Versos
Frases, traços e cores
Arte nascida do que vivi
Do sangue e do barro

A vida difícil ensina devagar
As adições chegam disfarçadas de alívio

E te cobram anos
Que não voltam
Dias vazios
Noites que não acabam
A desesperança
Como única companhia

Eu vivi tudo isso e sigo aqui
Cada palavra que escrevo
Carrega esse peso
Essa verdade
Que muitos não querem encarar

Não escrevo pra agradar
Escrevo porque calar me mata por dentro
Porque cada verso é uma tentativa
De organizar o desastre
De que alguém veja
O que eu vi
E decida não desistir

Aqui se tolera tudo que é vazio
Vídeos com patas de camelo
Como se fossem arte
Ameaças lançadas

Como se fossem normais
Dinheiro sujo
Circulando entre sombras
Vidas destruídas
Como espetáculo

E ninguém levanta um dedo
Mas se alguém fala da vida real
Da vida difícil
Do que dói de verdade
Então aparecem os censores

Voltamos aos anos
De proibição
Te apagam a conta porque você é um incômodo
Porque você atrapalha
Com a verdade que não querem ver

Pois pra mim isso
Tanto faz
Nunca ganhei um centavo
Com essa gente
E também não quero

Não vivo dessa aplicação
Nem preciso da aprovação deles
Nem me importa seu veneno barato

Talvez isso seja uma despedida
Porque provavelmente
Não gostem do que digo
E se não gostarem, não tem problema

Eu com eles não ganho nada
Eu escrevo pra quem vale a pena
Pra quem ainda sente

Pra quem duvida
Pra quem caminha
Com os bolsos cheios de sombras

E ainda busca um motivo
Pra se levantar

Minhas letras são pra abrir consciências
Pra trazer à luz o que muitos escondem

Pra gritar o que a vida ensina na porrada
E que outros não querem admitir
Os haters não somam

E essa plataforma também não ajuda
Mas enquanto houver alguém
Do outro lado
Que entenda a mensagem
Continuarei contando a vida
Que outros escondem

Mesmo que incomode
Mesmo que censurem
Mesmo que doa

Porque a arte que nasce da experiência não se cala
Não se vende
Não se submete

E eu já vivi demais
Pra perder agora a voz
Pra esconder o que vi

O que senti
O que sobrevivi

Aqueles que latem de perfis vazios
Opiniando sem ter vivido nada
Seus comentários não me param
Me empurram
Não me ferem
Me confirmam
Me lembram
Que estou no caminho certo

Enquanto vocês escrevem do nada
Eu sigo criando do que vivi
E isso
Mesmo que incomode vocês
Não podem tocar

Composição: Jaime Jose Cerda Fernandez