Ouro escondido sob o pó do asfalto
Um silêncio que grita do prédio mais alto
No cafezinho amargo, no ponto de ônibus
Há um pacto invisível entre todos nós, anônimos
Ninguém vê o sangue que rega o jardim
Mas todo mundo quer a flor no final, enfim
É o cansaço sagrado de quem não descansa
Uma guerra travada em nome da herança
Não é sobre o brilho, é sobre o carvão
Que queima no peito e aquece a mão
O amor é um crime que ninguém confessa
Uma dívida eterna paga com pressa
É o peso que flutua, é a dor que seduz
Eu carrego o escuro pra que eles sejam luz
Quanto mais eu me quebro, mais forte eu sou
Onde o mundo desiste, é lá que eu vou
É um vício de alma, um laço de nó
Amar é morrer pra não ser um só
No escritório cinza ou na mesa de jantar
Há um altar oculto em cada olhar
É o sacrifício que não tem cartaz
A paz que se faz com o que o ego desfaz
Eu dobro o joelho pra o céu não cair
Eu perco o meu solo pra eles subirem daqui
É o peso que flutua, é a dor que seduz
Eu carrego o escuro pra que eles sejam luz
Quanto mais eu me quebro, mais forte eu sou
Onde o mundo desiste, foi lá que eu vou
É um vício de alma, um laço de nó
Amar é morrer pra não ser um só
O espinho é o mestre, a ferida é a porta
O que é fácil apodrece, o que custa não morta
Eu bebo o veneno pra dar o perdão
A minha derrota é a minha ascensão
(Não é por mim, mas é em mim)
Hum
O nó que liberta
O peso que faz voar
Se eu cair hoje, é pra eles herdarem o chão
O amor é a glória da crucificação
(Vicia, dói, mas liberta)