Madres
Van
en ronda porfiada
ancianas de viento
de un frío que gasta
tackleando al olvido
yugando el dolor
Van
en ronda mareada
remando en silencio
a orillas de un tiempo
de grises y ausencias
de niebla en la voz
Van de pie con las heridas altas
convidando memoria
y andarán contra mugre y perdón
aunque duren los cuervos
llueva este asco
y pesen los pies
Van
pañuelos curtidos
de llantos inmensos
de soles de inviernos
diciendo los gritos que nadie gritó
Van
en ronda acunada
tobillos cansados
y ovarios de hierro
pariendo el coraje que nadie parió
Van de pie con las heridas altas
convidando memoria
y andarán contra mugre y perdón
aunque duren los cuervos
llueva este asco
y pesen los pies
Mães
Vão
em roda insistente
velhas de vento
de um frio que consome
atacando o esquecimento
juntando a dor
Vão
em roda tonta
remando em silêncio
à beira de um tempo
de cinzas e ausências
de névoa na voz
Vão de pé com as feridas expostas
convidando a memória
e vão andar contra a sujeira e o perdão
mesmo que os corvos fiquem
caia essa nojeira
e pesem os pés
Vão
lenços desgastados
de choros imensos
de sóis de invernos
dizendo os gritos que ninguém gritou
Vão
em roda embalada
tornozelos cansados
e ovários de ferro
parindo a coragem que ninguém pariu
Vão de pé com as feridas expostas
convidando a memória
e vão andar contra a sujeira e o perdão
mesmo que os corvos fiquem
caia essa nojeira
e pesem os pés