Ojalá
ojalá que las hojas no te toquen
el cuerpo cuando caigan
para que no las puedas convertir en cristal,
ojalá que la lluvia deje de ser milagro
que baja por tu cuerpo
ojalá que la luna pueda salir sin tí,
ojalá que la tierra no te bese los pasos...
ojalá se te acabe la mirada constante,
la palabra precisa, la sonrisa perfecta,
ojalá pase algo que te borre de pronto...
una luz cegadora, un disparo de nieve,
ojalá por lo menos que me lleve la muerte,
para no verte tanto, para no verte siempre
en todos los segundos…
en todas las visiones.
ojalá que no pueda tocarte
ni en canciones.
ojalá que la aurora no de gritos
que caigan en mi espalda,
ojalá que tu nombre se le olvide a esa voz,
ojalá las paredes no detengan
su ruido de camino cansado,
ojalá que el deseo se vaya tras de tí
Tomara
tomara que as folhas não toquem
teu corpo quando caírem
pra que não possas transformá-las em cristal,
tomara que a chuva deixe de ser milagre
que desce pelo teu corpo
tomara que a lua consiga sair sem você,
tomara que a terra não beije teus passos...
tomara que acabe esse olhar constante,
a palavra exata, o sorriso perfeito,
tomara que aconteça algo que te apague de repente...
uma luz ofuscante, um tiro de neve,
tomara que pelo menos a morte me leve,
para não te ver tanto, para não te ver sempre
em todos os segundos…
em todas as visões.
tomara que não possa te tocar
enquanto escuto canções.
tomara que a aurora não grite
que caia nas minhas costas,
tomara que teu nome se esqueça dessa voz,
tomara que as paredes não segurem
seu barulho de caminho cansado,
tomara que o desejo vá atrás de você.
Composição: Silvio Rodríguez