O pampa, ao raiar do dia
Abre as asas pro infinito
Enquanto a cidade fria
Prende o homem no seu rito
Lá o cantar da saracura
Acorda o peão com alegria
Aqui o relógio procura
Te prender por todo o dia
A saudade aperta o peito
Em volta deste concreto
Vou vivendo o mais direito
Sem me afastar do trajeto
No campo o tempo se estende
No passo manso do alazão
Na cidade tudo depende
Dos pila, fama ou indicação
E quando a tarde se alonga
No dia a dia da esperança
A la cria canto uma milonga
Pra cultivar minha herança
E trago em todo estribilho
O cheiro da terra molhada
Pois quem do pampa é filho
Nunca se perde pela estrada
Composição: Luis H. Rocha