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Brutal Paraíso

Luísa Sonza

Sangue, vida, corpo humano
Uso essa desculpa pra me salvar dos meus atos desumanos, hum
E eu me ajeito nos escombros
Eu canto umas canções e tento inventar algo bom de vez em quando
Eu me esforço tanto

E sabe, ultimamente tenho me lembrado
Do muro, da aparência, os vizinhos do lado
Flores e palmeiras, brigas corriqueiras
Mas, apesar de alguns pesares
Como era bom meus pais sorrindo juntos na longa viagem
E se me dá saudade

E no primeiro amor chegou a intensidade
Vai seguindo essa canção
É do meu coração, não vou fingir que não
Aos 15, beijei a primeira vez
E morri de paixão
Se tal era metade, mesmo sendo inteira
Descobrir o prazer e a beleza
Deixar se machucar pela primeira vez
Tentar se desgrudar, mesmo sem saber o que é e onde está
Querendo se encaixar em algum lugar
Tentando acertar pela primeira vez
A cor da intensidade a gente prova na adolescência
Muito instinto e pouca consciência
Provando o mundo à primeira vez, hum

E eu escuto, ele bate na porta
Diferente das outras histórias
O terror mais real é agora
Eu já guardo algumas memórias
Já não me sinto mais o tal
Já não vejo nós como um casal
Faculdade me soa banal
Tudo parece um caos
Não me encaixo em terno e gravata
E agora tô longe de casa
Da terra vermelha e molhada
Natureza, banho de cascata
Meu Deus, que cidade grande
Com certeza tenho uma chance
Que chique a escada rolante
Mas o sonho ainda tá distante, hum
Mas o sonho me parece distante

Pelo menos o amor parece certo (uh)
Me sinto tão melhor com ele perto
Se algo der errado, eu conserto (uh)
Com todo o corpo e alma, eu me entrego
E sabe, o agora é pra sempre
Nada vai atrapalhar o que a gente sente
Difícil aguentar com tanta gente
Também tenho te sentido tão ausente

E foi o segundo fim dos meus pra sempres
Eu me senti sozinha novamente
Você tava lá, e eu tava tão carente
Lá fui eu tentar enfrentar tudo de frente

Me dei por vencida logo
Perdi a briga, e óbvio
Que eu não sabia nada de mim
Nunca olhei pra mim
Minhas almas feridas, dores assistidas
Mente de uma menina pensava
Pra que ser assim?
Tudo é tão ruim

Eu tava perdida, não me caiu a ficha
Que meu sonho tinha chegado, enfim
Chegou, enfim
Chegou, enfim
Chegou pra mim

E eu sou grata por cantar desde criança
Aprender e trabalhar naquela banda
Tive sorte também, tive esperança
E hoje em dia vejo o lado bom de todas as lembranças
De todas as lembranças

E foi num dia de chuva de manhã
Que me afundei num cobertor de lã
E mesmo me sentindo a vilã
Me perdi e não mudei o amanhã
E eu falei: Luísa, cresça ou então desapareça
Onde eu tava com a cabeça?
Me dou bem com o que podia
Me vi debruçar da mesa
Já não era mais a mesma

Mas no meu pior momento, eu não tava sozinha
Tive alguns amigos, tive minhas amadas cachorrinhas
E até amores que eu cultivei um dia
Eles foram me tirando de toda essa folia
De toda essa folia

E aí me fui de novo
E me joguei no povo
Esqueci dos sufocos
Sofri, mas veio o troco
E eu fui voltando aos poucos
Sim, namorei de novo
Ok, tenho uns pregos soltos

Mas voltei pra mim
Eu de novo, enfim
E essa é a história dos meus 20 e poucos anos
Não sou nada mais do que esse pobre ser humano
E eu sei, essa é desculpa que de novo eu tô usando
Mas, enfim, é isso mesmo, eu me cuido e passo pano
E chega de ficar me desculpando
E hoje é por mim que eu canto
Por mim que eu canto

Composição: Francci, Luísa Sonza, Douglas Moda, Blackdoe