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Por Trás da Máscara

Luna Aster Nyvelle

O espelho distorce o que restou de mim
Fragmentos orbitam num espaço sem fim
Coleciono silêncios no lugar do meu nome
Sou o eco de um mundo que já não consome

(Eu tô no automático)
Caminho onde o tempo começa a ceder
Carrego a gravidade de tudo que vai morrer

Essa tinta no meu rosto virou horizonte final
Relâmpagos dançam num céu sem sinal
Você vê o brilho — chama de salvação
Mas eu sou o centro da própria implosão

Não sou heroína, nem vilã no fim
Sou a força que puxa tudo pra dentro de mim

(Me diz, quem sobra após o colapso de mim?)

Minha voz é um pulso perdido na imensidão
Um resto de luz sugado pela escuridão
O mundo quer sentido, quer redenção
Mas eu caminho na ausência de direção

(Para, por favor)
Minha lâmina corta o tecido do ar
Mas não existe nada que eu possa salvar

Sou o instante antes da luz desaparecer
O ponto onde as estrelas aprendem a ceder

Não me olha assim
Não há o que ver
Eu sou o vazio que aprendeu a viver
(A máscara, ela não cai)
(Ela é o que sobrou de mim)

Essa tinta no meu rosto já não pede perdão
Eu rasgo o espaço na minha própria mão
Você vê o brilho rasgando o céu
Mas eu sou o abismo chamando o que é meu

Sou o centro onde tudo se desfaz
A singularidade que ninguém supera jamais

(Através da gravidade)
(Nada escapa de mim)

Composição: Purefsx