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Um Trato Passageiro

Lynda Lemay

Un truc de passage

L'homme était français, la femme était russe
Tous deux voyage aux États-Unis
Tous deux attendaient le même autobus
Presque sans bagages, comme des sans-abri

Ils se composaient dans le terminus
Un nouveau langage bizarrement joli
Presque du français et presque du russe
Et l'anglais d'usage qu'ils avaient appris

Au fil du trajet, dans le processus
Du bon bavardage qui se pervertit
Le couple savait qu'il s'agirait juste
D'un truc de passage voué à l'oubli

L'homme était français, la femme était russe
Leurs deux cœurs volages n'avaient qu'une envie
Lui s'imaginait délivrer le buste
De l'épais corsage à demi rempli

Elle se retenait d'explorer les muscles
De ce corps sauvage de mâle aguerri
Il y eut deux arrêts puis un terminus
Un sac de couchage pour deux corps unis

Au matin dormaient l'homme et sa Vénus
Tous deux en otages de l'autre endormi
Mais dans le respect de leur consensus
L'éventuel chantage n'était pas permis

L'entente voulait qu'ce soit jamais plus
Qu'un truc de passage voué à l'oubli

L'homme était français, la femme était russe
Sans enfantillage, tous deux ont repris
Chacun leur trajet et leur autobus
Tous deux le visage un peu déconfit

La femme chassait le souvenir robuste
De son court voyage aux États-Unis

Alors que germait dans son utérus
Un truc de passage voué à l'oubli

Um Trato Passageiro

O homem era francês, a mulher era russa
Ambos viajando pros Estados Unidos
Ambos esperando o mesmo ônibus
Quase sem bagagem, como se fossem sem-teto

Eles se encontraram no terminal
Uma nova língua estranhamente bonita
Quase francês e quase russo
E o inglês que aprenderam no dia a dia

Ao longo do trajeto, no processo
Da boa conversa que se perverte
O casal sabia que seria apenas
Um trato passageiro destinado ao esquecimento

O homem era francês, a mulher era russa
Seus dois corações volúveis só tinham um desejo
Ele se imaginava tirando o corpete
Do vestido apertado que ela usava

Ela se segurava pra não explorar os músculos
Desse corpo selvagem de macho experiente
Houve duas paradas e depois o terminal
Um saco de dormir pra dois corpos unidos

De manhã, dormiam o homem e sua Vênus
Ambos reféns do outro adormecido
Mas no respeito ao seu consenso
Qualquer chantagem não era permitida

O acordo era que não fosse nunca mais
Do que um trato passageiro destinado ao esquecimento

O homem era francês, a mulher era russa
Sem infantilidades, ambos seguiram em frente
Cada um no seu caminho e no seu ônibus
Ambos com o rosto um pouco abatido

A mulher tentava afastar a lembrança forte
De sua curta viagem pros Estados Unidos

Enquanto brotava em seu útero
Um trato passageiro destinado ao esquecimento

Composição: