El Enterrador
Sabe Dios que en el fondo no soy malo
y nunca he deseado la muerte a nadie
Pero si la gente no se muriera
reventaría de hambre
Los vivos piensan que no me importa
ganar mi pan a costa de los muertos
Si supieran que detesto sepultarlos
Por más que piense que nada es eterno
no puedo encontrarlo natural
Nunca consigo tomar la muerte como viene
Si doy rienda suelta a mi pena
mis compañeros se ríen de mí, y me dicen:
Viejo, algunas veces ponés cara de entierro
Soy un pobre enterrador... enterrador!
Adiós muerto desconocido
Si desde el fondo de la tierra ves a Dios
Dile el trabajo que ha costado
esta última paleteada
O Enterrador
Sabe Deus que no fundo não sou ruim
E nunca desejei a morte a ninguém
Mas se as pessoas não morressem
Eu estouraria de fome
Os vivos acham que não me importa
Ganhar meu pão às custas dos mortos
Se soubessem que detesto enterrá-los
Por mais que pense que nada é eterno
Não consigo achar isso natural
Nunca consigo aceitar a morte como vem
Se solto minha dor
Meus colegas riem de mim e dizem:
Velho, às vezes você faz cara de enterro
Sou um pobre enterrador... enterrador!
Adeus, morto desconhecido
Se do fundo da terra você vê Deus
Diga a ele o trabalho que deu
Essa última pázada