395px

Lunaspina

Fiorella Mannoia

Lunaspina

Io mi vesto normalmente
come chi ha poca fantasia
come chi mette qualcosa
e poi non deve andare via
mi avvicino alle persiane
sento il mondo che fà rumore
e gli orologi di una casa
non si fermano mai

e mi fido facilmente
delle ombre via via
che riesco ad essere assente
e a non cercarmi compagnia
e di notte sento bene
i ritmi del mio stesso cuore
e le voci di una casa
non s'imparano mai.

Ho un lavoro quì vicino
il mio lavoro non mi piace
perchè mi consuma gli occhi
e poi mi mangia le giornate
e in tutto questo non vedere
in tutto questo non ricordare
in tutto questo non amare
io sono quì che vivo

io no, io no, io no, io no
io non ho terre da sognare
io non ho voci da seguire
io sono quì che aspetto
io no, io no, io no, io no
io non ho lettere da spedire
non ho parole da imparare
per cantarle sola

come tarda questa notte
la mia lunaspina
venga giù alla finestra
quella luce bambina
venga giù dal silenzio
mia cara compagnia
coi miei muscoli stanchi
son quì che aspetto

eh no, eh no, eh no, eh no
io ne avrei terre da sognare
ne avrei di voci da seguire
io non è vero che aspetto
eh no, eh no, eh no, eh no
io ne avrei lettere da spedire
ne avrei parole da imparare
per non cantarle da sola

eh no, io no, io no, io no
io ne avrei dette di parole
io non l' ho amato il mio dolore
io non è vero che aspetto
eh no, eh no, eh no, eh no
ne ho gridate di parole
e non l' ho amato il mio dolore
e adesso canto sola

come se fosse facile convincersi
a non ridere troppo di sè

Lunaspina

Eu me visto normalmente
como quem tem pouca imaginação
como quem coloca algo
e depois não precisa sair
me aproximo das persianas
sinto o mundo fazendo barulho
e os relógios de uma casa
nunca param

e eu confio facilmente
nas sombras que vão e vêm
que consigo estar ausente
e não procurar companhia
e à noite eu sinto bem
os ritmos do meu próprio coração
e as vozes de uma casa
nunca se aprendem.

Tenho um trabalho aqui perto
e meu trabalho não me agrada
porque consome meus olhos
e depois me devora os dias
e em tudo isso não ver
e em tudo isso não lembrar
e em tudo isso não amar
eu estou aqui vivendo

eu não, eu não, eu não, eu não
eu não tenho terras para sonhar
eu não tenho vozes para seguir
eu estou aqui esperando
eu não, eu não, eu não, eu não
eu não tenho cartas para enviar
não tenho palavras para aprender
para cantá-las sozinha

como essa noite demora
minha lunaspina
vem até a janela
aquela luz de criança
vem do silêncio
minha cara companhia
com meus músculos cansados
estou aqui esperando

eh não, eh não, eh não, eh não
eu teria terras para sonhar
também teria vozes para seguir
não é verdade que estou esperando
eh não, eh não, eh não, eh não
eu teria cartas para enviar
também teria palavras para aprender
para não cantá-las sozinha

eh não, eu não, eu não, eu não
eu teria dito muitas palavras
eu não amei minha dor
não é verdade que estou esperando
eh não, eh não, eh não, eh não
eu gritei muitas palavras
e não amei minha dor
e agora canto sozinha

como se fosse fácil se convencer
a não rir demais de si mesmo

Composição: Ivano Fossati