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Fado das Nuvens

Marco Oliveira

Deitado numa nuvem de não-ser
Deixei ao Deus-dará tantos abraços
Afastando-me assim, sem o saber
Do ponto de chegada dos meus passos

Caminho é quanto fica da viagem
Paragem é caminho para trás
E agora só me resta por bagagem
O tanto mal que fez o tanto-faz

Julgava não ser nada e era tudo
Pois tudo, em cada nada, acontece
Pr’além das sombras do tempo miúdo
A grande luz do tempo permanece

Contigo tenho agora de inventar
Essa outra nuvem de uma cor diferente
À força de aprender como te amar
Aprendo a amar tudo e toda a gente

Composição: José Mário Branco