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Mariana

Marcos Pagu

Há tanta fumaça no céu
Depois que mataram o rio Doce, Mariana
A morte envolta em seu véu
Olhando pra nós, sedutora
A luz que havia no fim do túnel
Que era esperança, se apagou
Agora estamos aqui
Entre o final e o fim, Mariana

Anseio um dia qualquer
Que tu renasças mulher e procrie
Pois Mariana é o que és
Seja Gênesis
Eu não entendo Adão
Nem Deus que toma de Adão, a costela
Eu não aceito que alguém
Tire de onde tu és pra ser quem não és

Longe se finda a ganância
Rio doce e Rio Acaraú
Sucumbe em socorro calado
Pois diferente de ti
Nosso Rio morre aos poucos
Sem acusar os culpados

O pescador não pesca mais
O ribeirinho é lamaçal
O peixe se afogou
Quando a barragem rompeu
O que era doce acabou
Roubou pra não ter dor
O homem é mal e cruel
Quando se tem o papel
É quando se acaba o amor
Mariana

Composição: Marcos Pagu