A-unda-ye
Respirerò / Larghe le mie narici
Supererò / Le piaghe e i sacrifici
Combatterò / Con questo mio torace
Restituirò / L'anima alle radici
Più forte è la bufera / Più urlo rabbia nera
Strappato al mio linguaggio / Ridato al mio coraggio
E vene a fior di pelle / cocciuto e ancora più ribelle...
Resisterò / i denti a tutto il male
Ritornerò / attraversando il mare
Difenderò / memoria e tradizione
Mi salverò / io con il mio colore
Non perderò il mio tempo
in lacrime, in vile pianto
non mi darò per vinto / come fa l'uomo bianco
son fuoco le speranze / preghiere vive le mie danze...
e per la mia libertà / le spezzo queste catene
col sole nuovo mi metto / a correre...
E sangue ne scorrerà / come dell'acqua da bere
versato al suolo / che grida e chiama me
Vendicherò / frustate e umiliazioni
Risanerò / le spalle dai padroni
Solleverò / la fronte al mio sudore
Frantumerò / ogni disperazione
Dal puzzo della stiva / disprezzo che feriva
dai polsi alle caviglie / stretti nelle tenaglie
tra fango e voci perse / noi vittime ma mai sommerse
E per la mia libertà / le spezzo queste catene
col cielo chiaro io posso vivere
la grande ombra è a metà
di luna il vento che viene
canto dal suolo
che cerca e muove me
A-unda-ye
Vou respirar / Abrindo bem as narinas
Vou superar / As feridas e os sacrifícios
Vou lutar / Com esse meu peito
Vou devolver / A alma às raízes
Quanto mais forte a tempestade / Mais grito a raiva negra
Arrancado do meu idioma / Devolvido à minha coragem
E veias à flor da pele / teimoso e ainda mais rebelde...
Vou resistir / os dentes a todo o mal
Vou voltar / atravessando o mar
Vou defender / memória e tradição
Vou me salvar / eu com a minha cor
Não vou perder meu tempo
em lágrimas, em choro covarde
não vou me dar por vencido / como faz o homem branco
sou fogo as esperanças / orações vivas minhas danças...
e pela minha liberdade / quebro essas correntes
com o sol novo eu me ponho / a correr...
E sangue vai escorrer / como água pra beber
derramado no chão / que grita e me chama
Vou me vingar / de chibatadas e humilhações
Vou curar / as costas dos patrões
Vou erguer / a testa ao meu suor
Vou despedaçar / toda a desesperança
Do fedor do porão / desprezo que feriu
dos pulsos aos tornozelos / apertados nas tenazes
entre lama e vozes perdidas / nós vítimas mas nunca submersas
E pela minha liberdade / quebro essas correntes
com o céu claro eu posso viver
a grande sombra está pela metade
do vento lunar que vem
canto do chão
que busca e me move