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Mão Gelada

Mario del Monaco

Che Gelida Manina

Che gelida manina
Se la lasci riscaldar.
Cercar che giova?
Al buio non si trova.
Ma per fortuna
è una notte di luna,
e qui la luna
l'abbiamo vicina.

Aspetti, signorina,
le dirò con due parole
chi son, e che faccio,
come vivo. Vuole?

Chi son?
Sono un poeta.
Che cosa faccio? Scrivo.
E come vivo? Vivo!
In povertà mia lieta
scialo da gran signore
rime ed inni d'amore.
Per sogni e per chimere
e per castelli in aria,
l'anima ho milionaria.
Talor dal mio forziere
ruban tutti i gioelli
due ladri, gli occhi belli.
V'entrar con voi pur ora,
ed i miei sogni usati
e i bei sogni miei,
tosto si dileguar!
Ma il furto non m'accora,
poichè, v'ha preso stanza
la dolce speranza!
Or che mi conoscete,
parlate voi, deh! Parlate.
Chi siete? Vi piaccia dir!

Mão Gelada

Mão gelada
Se você deixar esquentar.
Procurar o que adianta?
No escuro não se encontra.
Mas por sorte
é uma noite de lua,
e aqui a lua
está bem pertinho.

Espere, senhorita,
vou lhe dizer em poucas palavras
quem sou, e o que faço,
como vivo. Quer?

Quem sou?
Sou um poeta.
O que faço? Escrevo.
E como vivo? Vivo!
Na minha pobreza feliz
me esbaldo como um grande senhor
com rimas e hinos de amor.
Por sonhos e quimeras
e por castelos no ar,
minha alma é milionária.
Às vezes do meu baú
roubam todos os joias
dois ladrões, os olhos bonitos.
Entrei com vocês agora,
e meus sonhos usados
e meus belos sonhos,
logo se dissiparam!
Mas o furto não me abala,
pois, já tomou conta
a doce esperança!
Agora que me conhecem,
vocês falem, por favor! Falem.
Quem são? Queiram dizer!

Composição: Giacomo Puccini