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Canção das Pombas Negras

Marta Gómez

Casida de Las Palomas Oscuras

Por las ramas del laurel
Vi dos palomas oscuras.
La una era el sol,
La otra era la luna.

"Vecinitas", les dije,
"¿Dónde está mi sepultura?"
"En mi cola", dijo el sol.
"En mi garganta", la luna.

Yo que estaba caminando
Con la tierra por la cintura
Vi dos águilas de nieve
Y una muchacha desnuda.
La una era la otra
Y la muchacha ninguna.

"Aguilitas", les dije,
"¿Dónde está mi sepultura?"
"En mi cola", dijo el sol.
"En mi garganta", la luna.

Por las ramas del laurel
Vi dos palomas desnudas.
La una era la otra
Y las dos eran ninguna.

Canção das Pombas Negras

Pelas ramas do loureiro
Vi duas pombas escuras.
Uma era o sol,
A outra era a lua.

"Vizinhas", eu disse,
"Onde está meu túmulo?"
"Na minha cauda", disse o sol.
"Na minha garganta", a lua.

Eu que estava caminhando
Com a terra na cintura
Vi duas águias brancas
E uma moça pelada.
Uma era a outra
E a moça nenhuma.

"Águiazinhas", eu disse,
"Onde está meu túmulo?"
"Na minha cauda", disse o sol.
"Na minha garganta", a lua.

Pelas ramas do loureiro
Vi duas pombas nuas.
Uma era a outra
E as duas eram nenhuma.

Composição: Federico García Lorca / Marta Gomez