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Horizonte de Eventos

Marturinhas

Eu era uma estrela de nêutrons
Que virou buraco negro
E suguei toda a dor
Para dentro do meu peito

Em três suspiros, eu morri
E daí achei que seria feliz
Me encontrando com os anjos
E com os meus próprios demônios

Mas rebelde como eu
Não quis entrar no céu e nem no Inferno
Vista as suas roupas de inverno
Na Terra, os corações são tão frios

Escrevo o que tenho a escrever
Canto o que tenho pra cantar
E se vier alguém reclamar
Não irei me abalar

Eu era uma estrela de nêutrons
Que virou buraco negro
E tudo aquilo que era meu
Eu já não reconheço

Eu saí então daquela prisão
E tive minha doce coroação
Falo tudo o que eu sempre quis
Mas mil olhos me perseguem

Será que és mais livre agora
Ou quando tu eras moleque?
O peso me dói nas costas
Mas a minha alma é leve

Digo o que tenho a dizer
Amo o que tenho pra amar
E se vier alguém me crucificar
Continuarei sem pestanejar

Eu era uma estrela de nêutrons
Que virou buraco negro
Mas a luz se aproxima agora
E acho que ela é o meu lar

Composição: Marturinhas