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Cocada Negra

Mauro Aguiar

Cocada Preta

A minha boca resolveu ter quatro patas
Em todas quatro, quatro pedras pra jogar
A minha voz parece um bom tapa na cara
E a minha tara é só de um dia te encontrar

A tua jura feita da boca pra fora
Já tô me achando no direito de cobrar
Eu me cansei de fincar pé no "tô por fora"
Que atitude as vezes é bom de tomar.

E não me vem com sua voz de celofane renoir
Nem chama mais um peru de fora pra piar
Devolve o tapete que você puxou no ar
Beijos e o cacete a quatro que dei sem pensar.

Por trás da cortina
Bem ladina
Tu esconde
A minha sina que não fez questão de usar.

A minha pata resolveu ter quatro bocas
Em cada boca, quatro línguas pra xingar
presta atenção não sou maria-vai-com-as-outras
Você podia ao menos me considerar.

Na tua boca qualquer jura sai mal feita
enfeita o passe mas esquece de chutar
Já resolví esconjurar tua desfeita
Que atitude as vezes é bom de tomar.

E não me vem com sua voz de celofane renoir
Nem chama mais um peru de fora pra piar
Devolve o tapete que você puxou no ar
Beijos e o cacete a quatro que dei sem pensar.

Por trás da cortina
Bem ladina
Tu esconde
A minha sina que não fez questão de usar.

Não adianta eu quero
Tudo que você me prometeu
Dá meu trono que o rei sou eu!

Cocada preta pode até
Cantar de galo pra reinar
Mas quando foi ver derreteu. ah! ah!

Cocada Negra

Mi boca decidió tener cuatro patas
En cada una, cuatro piedras para lanzar
Mi voz parece una buena bofetada en la cara
Y mi deseo es solo encontrarte un día

Tu promesa hecha de labios para afuera
Ya me siento con derecho a exigir
Me cansé de estar por fuera de todo
A veces es bueno tomar una actitud.

Y no vengas con tu voz de celofán renoir
Ni llames a otro gallo de afuera para cacarear
Devuelve la alfombra que levantaste en el aire
Besos y golpes que di sin pensar.

Detrás de la cortina
Muy astuta
Escondes
Mi destino que no quisiste usar.

Mi pata decidió tener cuatro bocas
En cada boca, cuatro lenguas para insultar
Presta atención, no soy una seguidora
Podrías al menos considerarme.

En tu boca, cualquier promesa sale mal hecha
Adorna el paseo pero olvida patear
Decidí deshacer tu desaire
A veces es bueno tomar una actitud.

Y no vengas con tu voz de celofán renoir
Ni llames a otro gallo de afuera para cacarear
Devuelve la alfombra que levantaste en el aire
Besos y golpes que di sin pensar.

Detrás de la cortina
Muy astuta
Escondes
Mi destino que no quisiste usar.

No sirve de nada, quiero
Todo lo que me prometiste
¡Devuélveme mi trono, que el rey soy yo!

La cocada negra puede incluso
Cantar victoria para reinar
Pero cuando menos lo esperas, se derrite. ¡Ah! ¡Ah!

Composição: Edu Kneip, Mauro Aguiar