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Sentença Sem Juiz

Mente Cria

Esse é o Mano Cria, diretamente das ruas, realidades cruas
Som da opressão, do sistema que nos mata todo dia

Nasci no inferno e aprendi a sobreviver
Polícia quer me matar, mas eu não vou ceder
Cada esquina é um campo de batalha
Favela sangra enquanto burguês só trabalha
No beco escuro, olho atento, sempre em alerta
A vida cobra, o tempo passa, só promessa
E eu pergunto: Até quando essa guerra?
Se a paz nunca chega e a justiça não presta

Eu não pedi pra nascer, mas já que tô aqui
Vou lutar até o fim, nunca vou desistir
Sistema quer me ver morto, mas eu tô de pé
Favela resiste, com ódio e com fé

Olho no espelho, vejo um soldado sem farda
Pobre na mira, só mais um alvo na caça
Enquanto o político ostenta sua mansão
A mãe chora em prantos segurando um caixão
É mais um jovem que tombou nessa trilha
Sem chance, sem voz, sem opção na vida
É só estatística, mais um corpo na esquina
E a TV diz que ele era só mais uma vítima

Eu não pedi pra nascer, mas já que tô aqui
Vou lutar até o fim, nunca vou desistir
Sistema quer me ver morto, mas eu tô de pé
Favela resiste, com ódio e com fé

E os menor tão crescendo sem ter direção
Sem um exemplo, sem motivação
O crime é escola, a vida é prisão
Onde o certo é errado e errado é opção
E quem sobe, sobe só pra cair
Morre com vinte sem chance de agir
E eu vejo que o tempo não quer regredir
Só vejo injustiça e revolta em mim

Quantos mais vão morrer sem razão?
Quantas mães vão chorar em vão?
Até quando vão nos enganar?
Dizendo que temos que esperar?
Não dá mais pra aceitar esse jogo sujo
Se a lei é falha, só favorece os luxos
O pobre é fardo, descartável e lixo
Mas na favela, ainda resiste um espírito

Eu não pedi pra nascer, mas já que tô aqui
Vou lutar até o fim, nunca vou desistir
Sistema quer me ver morto, mas eu tô de pé
Favela resiste, com ódio e com fé

Esse é o retrato de quem vive essa vida
Cada palavra carrega uma ferida
E se me perguntam até quando eu resisto
Digo que resisto enquanto existir motivo

Composição: Pedro Paulo Borges