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Canção Para Carito

Mercedes Sosa

Canción Para Carito

Sentado solo en un banco en la ciudad
Con tu mirada recordando el litoral
Tu suerte quiso estar partida
Mitad verdad, mitad mentira
Como esperanza de los pobres prometida

Andando solo bajo la llovizna gris
Fingiendo duro que tu vida fue de aquí
Porque cambiaste un mar de gente
Por donde gobierna la flor
Mira que el río nunca regaló el color

Carito suelta tu pena
Se hará diamante tu lágrima entre mis cuerdas
Carito, suelta tu piedra
Para volar como el zorzal en primavera

En Buenos Aires, los zapatos son modernos
Pero no lucen como en una plaza de un pueblo
Deja que tu luz chiquitita
Hable en secreto a la canción
Para que te acaricie un poco más el Sol

Cualquier semilla cuando es planta quiere ver
La misma estrella de aquel atardecer
Que la salvó del pico agudo
Refugiándola a lo oscuro
De la gaviota arrasadora de los surcos

Carito yo soy tu amiga
Me ofrezco árbol para tu nido
Carito, suelta tu canto
Que el abanico en mi acordeón ya está esperando

Canção Para Carito

Sentado sozinho em um banco na cidade
Com seu olhar lembrando o litoral
Sua sorte quis estar partida
Metade verdade, metade mentira
Como esperança dos pobres prometida

Andando sozinho sob a garoa cinza
Fingindo firme que sua vida foi daqui
Porque trocou um mar de gente
Por onde governa a flor
Olha que o rio nunca deu de graça a cor

Carito, solta sua dor
Sua lágrima vai se tornar diamante entre minhas cordas
Carito, solta sua pedra
Pra voar como o sabiá na primavera

Em Buenos Aires, os sapatos são modernos
Mas não brilham como na praça de um povo
Deixa sua luz pequenininha
Falar em segredo com a canção
Pra que o Sol te acaricie um pouco mais

Qualquer semente quando é planta quer ver
A mesma estrela daquele pôr do sol
Que a salvou do bico afiado
Refugiando-a no escuro
Da gaivota arrasadora dos sulcos

Carito, eu sou sua amiga
Me ofereço como árvore para seu ninho
Carito, solta seu canto
Que o leque no meu acordeão já está esperando

Composição: Ros Antonio Tarrago, Leon Gieco