Herederos de lo absurdo
Sin fronteras, sin ciudades,
como en casa en todo el mundo están;
sin historias, sin montajes
a animar al pusilánime se van.
Saben de seguridad
y cada día se empeñan en confiar;
les sobra capacidad,
pero todo lo hacen en comunidad.
¿Quiénes son que van?
Sin poderes, sin tarjetas, sin prestigios van.
Sin temores, sin recetas, sin dinero van.
Su mensaje no pasa con los tiempos,
todos lo llevamos dentro;
su palabra no aflige a quién la oye,
más bien libera a quién la acoge;
aunque algún día suban a un escenario,
no olvidan a nadie abajo.
Sin conocerlos son despreciados,
y ellos siempre se sienten pagados.
Sin poderes, sin tarjetas, sin prestigios van.
Sin temores, sin recetas, sin dinero van.
Son amigos de todos, son refuerzo de todo,
no entienden de competitividad;
la deshonra es su gloria, la fama no les importa,
superan su religiosidad,
son pobres y enriquecen,
gente segura y sencilla
pero que busca la tensión de la vida;
quién los rechaza nunca alcanza a explicar
el mal que ve en su actuar.
Sin poderes, sin tarjetas, sin prestigios van.
Sin temores, sin recetas, sin dinero van.
Son herederos de lo absurdo,
constructores del futuro.
Herdeiros do Absurdo
Sem fronteiras, sem cidades,
como se estivessem em casa em qualquer lugar;
sem histórias, sem montagens
para animar o covarde que se vai.
Sabem sobre segurança
e a cada dia se esforçam pra confiar;
eles têm capacidade de sobra,
mas fazem tudo em comunidade.
Quem são esses que vão?
Sem poderes, sem cartões, sem prestígios vão.
Sem medos, sem receitas, sem grana vão.
Sua mensagem não se perde com o tempo,
todos a carregamos dentro;
sua palavra não pesa pra quem ouve,
muito pelo contrário, liberta quem acolhe;
mesmo que um dia subam a um palco,
não esquecem de ninguém lá embaixo.
Sem conhecê-los, são desprezados,
e eles sempre se sentem recompensados.
Sem poderes, sem cartões, sem prestígios vão.
Sem medos, sem receitas, sem grana vão.
São amigos de todos, são apoio de tudo,
não entendem de competitividade;
a desonra é sua glória, a fama não importa,
superam sua religiosidade,
são pobres e enriquecem,
pessoas seguras e simples
mas que buscam a tensão da vida;
quem os rejeita nunca consegue explicar
o mal que vê em seu agir.
Sem poderes, sem cartões, sem prestígios vão.
Sem medos, sem receitas, sem grana vão.
São herdeiros do absurdo,
construtores do futuro.