Água
O pingo de água no filtro de barro
Me faz lembrar que meu ouvido continua afiado
Na roda de bamba, mil noites em claro
E a Lua me lembra que se você não pensa é pensado
Deliram, deliram, disseram
Me tiram de carro, de droga, de arma, de isso e aquilo (eu não)
Prefiro os lírios do campo invisível
Meu verso feito de trapo, um parangolé colorido
Você me pergunta, o que tem haver com isso? Nada
Poesia pra quem é de poesia
Bamba, só anda em boa companhia
Trampa, mas nunca larga a boemia
Ainda sou o mesmo, só que agora mais tranquilo
Mais puro de alma, já já podre de rico (já já)
Arranquei meu teto de vidro (arranquei) e fui meu teto de vidro
E fui aonde não querem ir, ele vai, poeta maldito
Com seu paletó de trapo, um jasmim que cresceu no lixo
Descobriu no imaginário o poder de mover moinho
O poder de virar a página e voltar muito mais bandido
Aonde não querem ir, ele vai, poeta maldito
Com seu paletó de trapo, um jasmim que cresceu no lixo
Descobriu no imaginário o poder de mover moinho
O poder de virar a página e voltar muito mais (aham)
Bandido, tô aqui pra falar contigo
Sobre os discos e livros, sobre os erros
Sobre as dores, pra não dizer que eu não falei dos tiros
Sobre os lírios nos cacos de vidro
Sobre escolha, sobre destino
Pois vim de onde eu venho, com ódio no peito
É dois minuto pra médio virar monstro
É dois minuto, ele pega a caneta e pronto
A vida muda, a dele e dos seus manos
Cresceu arruda, que foi regada a pranto
Desceu a chuva, depois de tanto banzo
Mas ninguém reparou, no terreno baldio
Ninguém reparou, a perola do lodo
Ninguém reparou, ele até insistiu, mas ninguém
Uma flor nasceu no lixo, mas ninguém reparou
No terreno baldio, ninguém reparou
A perola do lodo, ninguém reparou
Ele até insistiu, mas ninguém reparou
Do nada, aonde não querem ir, ele vai, poeta maldito
Com seu paletó de trapo, um jasmim que cresceu no lixo
Descobriu no imaginário o poder de mover moinho
O poder de virar a página e voltar muito mais bandido (muito mais)
Aonde não querem ir, ele vai, poeta maldito
Com seu paletó de trapo, um jasmim que cresceu no lixo
Descobriu no imaginário o poder de mover moinho
O poder de virar a página e voltar muito mais bandido